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trabalho escravo
2007-05-30
Os dois maiores frigoríficos do Brasil e o maior do Sudeste paraense concordaram em cortar relações comerciais com pecuaristas flagrados com trabalho escravo. A pressão veio do Wal-Mart e do Banco Mundial.

A pecuária bovina é a atividade que mais utiliza trabalho escravo no Brasil. É praticada em 62% das propriedades rurais da "lista suja" do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), relação de empregadores flagrados pelo governo federal que utilizaram essa forma de mão-de-obra. Mas durante os dois anos de existência do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, acordo que envolve as empresas no combate a esse crime, nenhum frigorífico figurou entre os mais de 100 signatários.

Na última semana, o quadro mudou: três frigoríficos decidiram aderir. O Bertin assinou o Pacto em 16 de maio, o Friboi, no dia 21, e o Redenção, no dia 22. O acordo reúne empresas - como Wal-Mart, Petrobras, Amaggi e Carrefour - que se comprometem a erradicar o trabalho escravo em suas cadeias produtivas. Na prática, elas devem cortar relações comerciais com os empregadores da "lista suja" e com os fornecedores que comprem delas.

Essa articulação empresarial surgiu em maio de 2005, depois que um grupo de grandes companhias foi alertado pelo Instituto Ethos, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Repórter Brasil de que estavam comprando produtos advindos de propriedades rurais com trabalho escravo. Esse mapeamento, baseado nas fazendas da "lista suja", foi feito pela Repórter Brasil em 2004.

Todas as empresas detectadas como compradoras desses produtos foram convidadas por essas três instituições a conhecer o estudo e a se engajar na causa através da assinatura do Pacto. Na época, os 19 frigoríficos encontrados na pesquisa foram chamados, mas decidiram não assinar o acordo.

A Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) aderiu. Mas, até agora, não apresentou medidas significativas de seus associados para erradicar a escravidão.

Pressão
Desde então, a articulação das empresas e instituições financeiras comprometidas com a causa avançou no sentido de pressionar suas cadeias produtivas e seus financiados a atuarem por condições dignas de trabalho no campo.

O Wal-Mart, por exemplo, suspendeu negócios com um fornecedor do Tocantins, o Frinorte, porque o abatedouro não cortou a compra de carne de uma fazenda reincidente em trabalho escravo. Além disso, a multinacional convocou uma reunião em sua sede, em Tamboré, na Grande São Paulo, com todos os seus fornecedores de carne. Apresentou a eles a situação do trabalho escravo na cadeia de bovinos, pediu que eles comparecessem ao evento de balanço dos dois anos do Pacto e que assinassem o acordo. Os executivos da empresa ainda alertaram para o caso do corte de fornecimento com o Frinorte.

O Friboi, o maior frigorífico do Brasil, e o Redenção, o maior do Sudeste do Pará (região campeã em trabalho escravo no país) estiveram presentes nessa reunião. Não compareceram ao evento, mas assinaram o Pacto na semana seguinte.

"A cadeia [produtiva] começa a agir assim, quando alguém cobra em uma ponta, como fez o Wal-Mart", diz Roberto Fontana, diretor de vendas de carne in natura do Friboi. "Há dois anos nos informaram de que comprávamos de três fazendas da ‘lista suja'. Suspendemos os negócios com eles e agora faremos checagens permanentes para fazer o mesmo com novas fazendas com esse problema", diz.

O Frigorífico Redenção declarou que há um ano não compra mais carne de pecuaristas presentes na "lista suja". "Nossos fornecedores também estão assinando termo em que se comprometem a não manter trabalhadores em regime de escravidão", diz Milton Rodrigues, gerente de vendas do Redenção. Ele afirma que a empresa vai divulgar sua posição a associações e sindicatos de pecuaristas das regiões em que atua e que estuda organizar palestras para motivar também os produtores rurais a assinarem o Pacto.

Exigência do Banco Mundial
No caso do Frigorífico Bertin, o segundo maior abatedouro e primeiro em exportação de carne do Brasil, a pressão para a assinatura do Pacto veio do Banco Mundial, seu financiador. A empresa recebeu em março um empréstimo de 90 milhões de dólares da Corporação Financeira Internacional (IFC, na sigla em inglês) - braço de crédito privado do Banco Mundial - para duplicar sua capacidade de abate na unidade da Amazônia, em Marabá, no Pará. Na época, a instituição pediu que o Bertin assinasse o acordo, além de exigir a implantação de um sistema informatizado de cadastramento de fornecedores que barrasse aqueles que estão na "lista suja" do MTE.

Procurado pela Repórter Brasil, o Bertin não respondeu sobre seus motivos para assinar o Pacto apenas dois anos após sua criação, nem sobre as ações que pretende tomar no combate a esse crime.

(Por Cláudia Carmelo, Repórter Brasil / Envolverde / Jornal do Meio Ambiente, 28/5/2007)

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