O vice-presidente do Brasil, José Alencar, disse nesta quarta-feira (2) que o governo federal respeita a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, mas afirmou que os contratos com a Petrobras e o país devem ser cumpridos. "Não temos que fazer crítica à nacionalização. É uma decisão do governo boliviano, mas obviamente, desde que cumpra os compromissos com o governo brasileiro e a empresa [Petrobras], que tem ajudado a Bolívia neste tempo todo", disse.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, assinou hoje os 44 novos contratos com petrolíferas e consolidou a nacionalização do gás e petróleo anunciada há um ano. Na cerimônia, Morales pediu investimentos das empresas estrangeiras. O boliviano, no entanto, reforçou que as petrolíferas "já não são patrões". Apesar de dizer que hoje se inicia uma "nova história" no país, Morales pediu que as empresas façam investimentos. Segundo ele, se a Bolívia fosse um país com recursos, não precisaria de "sócios" para explorar suas riquezas naturais.
O presidente boliviano garantiu que fornecerá segurança jurídica aos investimentos em petróleos, mas exigiu das empresas "respeito às normas bolivianas". Pelos novos contratos, a Bolívia obtém 82% do negócio, deixando 18% para as petroleiras. Ao todo, 12 petrolíferas, inclusive a Petrobras, firmaram nesta quarta-feira 44 novos contratos. Os acordos passam a valer seis meses após terem sido assinados os originais e um ano e um dia depois de Morales ter anunciado a nacionalização dos hidrocarbonetos.
A Petrobras afirmou ainda que continua a negociar o preço do ressarcimento da nacionalização de duas de suas refinarias (Villaroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder Bell, em Santa Cruz de La Sierra). O impasse ocorre porque a Bolívia quer pagar um preço inferior ao valor de mercado.
(
Folha online, 02/05/2007)