O escritório Oceana, no Chile, afirma que as conclusões do recente estudo da revista Science, prevendo um esgotamento total dos recursos marinhos para o ano de 2048, não são novidades nem apresentam um cenário futuro, já que no caso do chileno a escassez de produtos marinhos é uma realidade patente. A diretoria executiva da organização, que se dedica à proteção e recuperação dos oceanos de todo o mundo, afirma que 30% das espécies marinhas que se pescavam já não existem, o que significa que o número total se reduziu em 90% desde 1950.
Em entrevista ao jornalista Diego Valderrama, o presidente da Oceana, Marcel Claude, afirma que, por esse motivo, "é completamente factível que todos os pescados e mariscos que as embarcações pesqueiras capturam agora entrarão em situação de colapso se não forem tomadas medidas urgentes".
Já em 2003, com o estudo
Sustentabilidade e incerteza dos principais mercados pesqueiros chilenos, o Oceana denunciou que a intensa pressão de pesca exercida pelos industriais pesqueiros dizimou consideravelmente os principais recursos pesqueiros, com os correspondentes prejuízos para aquelas comunidades costeiras que sobrevivem graças à sua exploração. Além disso, frota pesqueira industrial pratica artes de pesca tão devastadoras como o arrasto, com repercussões diretas sobre os ecossistemas e sua biodiversidade.
"Por esta razão é necessário regular as atividades de pesca nas águas internacionais através de instâncias multilaterais de competência jurídica, como é o processo que está se desenvolvendo na Austrália para criar uma Organização Regional de Administração Pesqueira (Orap) que regule as capturas nas águas internacionais do Pacífico Sul", destaca o ativista.
O biólogo marinho da Oceana, Juan José Valenzuela, afirma que atividades como a pesca irracional e a descarga ao meio de resíduos tóxicos industriais, como os que jogam as plantas de celulose, são os que mais afetam a sustentabilidade dos recursos das costas. Segundo Valenzuela, a conseqüência direta destas práticas agressivas com o meio ambiente tem sido a notória diminuição de certas espécies de peixes e mariscos que formavam parte do hábito alimentar dos chilenos, como é o jurel, a merluza, o erizo vermelho ou as machas (espécie de mariscos), cujas populações se reduziram drasticamente nos últimos tempos.
Marcel Claude acrescentou que no Chile não existem regulamentos nem limites de captura em águas internacionais para a frota pesqueira nacional, por isso é fundamental que a indústria pesqueira chilena entenda que a prioridade é a proteção do recurso e não "quem lucra com as poucas espécies que nos vão sobrando".
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Adital, 14/11/2006)