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emissões de co2
2006-08-04
Um sistema produtor de energia integral desenvolvido por pesquisadores espanhóis a partir de algas marinhas e continentais, que substituirá o petróleo de origem fóssil, dessa forma reduzindo a contaminação ambiental, será implementado no final de 2007, segundo os responsáveis pelo estudo.

Bernard Stroiazzo-Mougin, presidente da Biofuel Systems SL (BFS), a empresa espanhola que toca o projeto, explicou à IPS que “o sistema permitirá produzir de maneira maciça petróleo a partir de fitoplâncton, em um espaço reduzido e com custos realmente moderados”.

Ao ser lembrado de que já se produz biodiesel em outros países, o executivo explicou que não é o mesmo que o fotobioreator produzirá em sua empresa. A BFS, com o apoio da Universidade de Alicante, “projetou um sistema totalmente diferente, que produz biopetróleo – e não biodiesel – a partir de um conversor de energia”, explicou empresário.

O novo produto terá todas as vantagens do petróleo e permitirá a extração de todos seus derivados, “mas sem seus inconvenientes, pois não aumentará as emissões de CO2 (dióxido de carbono), mas as reduzirá, e nem de SO2 (dióxido de enxofre), além de resultar em praticamente ausência de produtos secundários nocivos.

A matéria-prima será o fitoplâncton, que é constituído por fotoautotróficos – elementos primários dos oceanos, entre os quais se destacam as diatomeas, que são um grupo de algas unicelulares, que também estão nas águas doce continentais e na terra úmida. Além disso, o uso das algas contribuirá para evitar prejuízos ao ecossistema aquático, porque o fitoplâncton costuma se multiplicar rapidamente, decompondo-se, esgotando o oxigênio da água e, em conseqüência, provocado mortandade de peixes. O fitoplâncton, que é o conjunto dos organismos aquáticos autótrofos dispersos na água com capacidade fotossintética, produz 98% do oxigênio da atmosfera terrestre.

Segundo Stroiazzo-Mougin, o sistema da BFS garantirá uma produção 400 vezes superior a de qualquer outro biocombustível. Como exemplo, assinalou que “em uma superfície de 52 mil quilômetros quadrados podem ser obtidos 95 milhões de barris de biopetróleo por dia, isto é, toda a produção petrolífera mundial atual e a um preço sensivelmente inferior” ao do petróleo.

Com esse sistema, afirmou, se assegurará uma fonte contínua de produção, inesgotável, além do fato de que utilizar o excesso de CO2 contribuirá para amenizar o efeito estufa e restabelecer o equilíbrio térmico do planeta, pois este gás é um dos principais causadores da deterioração ambiental.

Para substituir 40% do petróleo utilizado hoje em dia no mundo por biodiesel, produzido a partir de produtos vegetais, será necessário multiplicar por três a extensão das terras cultivadas atualmente, “algo totalmente impossível e contraproducente para a economia mundial”, ressaltou o empresário.

O novo produto da BFS seria semelhante ao petróleo tradicional, que se formou “há milhões de anos sob altas pressões e temperaturas e em um clima de alta atividade sísmica e vulcânica, partindo dos mesmos elementos vegetais que utilizaremos agora (principalmente fitoplâncton)”, explicou Stroiazzo-Mougin.

Foi “a biodegradação de determinados compostos orgânicos de origem vegetal (ácidos graxos e hidrocarbonetos) que deu lugar ao petróleo, ou seja, um sistema semelhante ao que colocaremos em marcha”, acrescentou o empresário.

Referindo-se à superfície necessária para produzir, diz que a soja produz 50 metros cúbicos por quilômetro quadrado; a colza, de 100 a 140; a mostarda, 130; e o óleo de palma, 610 metros cúbicos, enquanto as algas produzem entre 10 mil e 20 mil metros cúbicos por quilômetro quadrado, tudo isso anualmente.

Por outro lado, a BFS pensa em desenvolver uma tecnologia que lhes permita aumentar a produtividade de algas por hectares, antes que termine a instalação de sua primeira fábrica, que ficará na costa espanhola do mar Mediterrâneo e produzirá em um circuito fechado terrestre, embora também esteja previsto, mais tarde, desenvolver outras processadoras águas adentro.

À pergunta se oferecerão a fórmula e o sistema de processamento a outros países, se irão se associar ou venderão a patente, ou se será sem custo, Stroiazzo-Mougin respondeu que “todos estes aspectos estão sendo estudados detalhadamente, desde a estrutura comercial da companhia. Devido à magnitude do sistema, são aspectos que devem ser analisados profundamente e para os quais ainda não temos uma resposta”, afirmou.

Conversando sobre essa iniciativa, o coordenador da organização não-governamental Ecologistas em Ação, Luis González Reyes, afirmou à IPS que existe uma situação “muito complicada com relação à mudança climática e que é preciso ganhar tempo para avançar rumo a sociedades com um consumo muito menor de energia e que esta seja ecológica”.

Sobre o projeto concreto da BFS, “do qual não estou informado a fundo, será preciso avaliar a taxa de emissão de CO2 de todo o sistema, ou seja, a diferença entre o que fixariam as algas e depois o que for liberado como conseqüência de sua extração, processamento e combustão. Além disso, será necessário analisar a possível liberação de outras substâncias tóxicas durante sua combustão”, alertou o ecologista.

Em todo caso, concluiu Reyes, “o importante, além de reduzir o consumo de energia, é que se pesquisa procurando por novas opções, como parece ser esta da BFS e da Universidade de Alicante”. Stroiazzo-Mougin afirmou que se reduzirá notoriamente a emissão de CO2 e que não serão liberadas substâncias tóxicas, como explicaram os pesquisadores químicos e biólogos marinhos que participaram da pesquisa.
(Por Tito Drago, Envolverde/ IPS, 02/08/2006)

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