Em decorrência da chuva e das tubulações danificadas pela explosão de terça-feira (13/06), um novo vazamento de produtos químicos ocorreu por volta das 8h de ontem(15/06) em Cachoeirinha. A lagoa dentro da empresa MBN transbordou e a água contaminada chegou novamente ao arroio Passinhos.
Técnicos da Fepam montaram barreiras de contenção, mas a água poluída já atingiu o rio Gravataí. Caminhões-pipa foram utilizados para retirar os produtos químicos da lagoa. Até as 17h, 200 mil litros de água foram transportados para uma empresa de tratamento da Capital.
Nas barreiras de contenção, a água contaminada recebeu tratamento à base de cal, explicou o secretário de Obras e coordenador da Defesa Civil de Cachoeirinha, Jayme Pereira. O secretário do Meio Ambiente, Breno Munhoz, ressalvou que a lagoa dentro da empresa não era de resíduos químicos, mas, devido à explosão, o material tóxico foi jogado na água para evitar maior poluição do solo.
Mesmo com a explosão e a contaminação do Passinhos, um pedreiro planeja a construção da sua casa ao lado da empresa. "Negociei o terreno há pouco tempo. Dizem que passou o perigo e não tenho para onde ir", disse.
A Corsan informou que só liberará o bombeamento do ponto de captação de Cachoeirinha quando houver garantia de qualidade da água, mediante resultados das análises. Ontem, problemas de vazamento na adutora de Alvorada e Cachoeirinha, sem relação com o incêndio, comprometeram o abastecimento de cerca de 70 mil famílias.
Conforme o engenheiro-chefe da Coordenação Operacional de Cachoeirinha e Gravataí da Corsan, Luiz Ernesto Ferraretto, o abastecimento deve se normalizar hoje de manhã. O geólogo José Ricardo Samberg, da Emergência da Fepam, acha que a chuva do feriado pode ter contribuído para a diluição dos poluentes.
A empresa mantém a limpeza da área incendiada. Além de produtos químicos espalhados, o trabalho envolve a remoção de escombros, estruturas metálicas retorcidas e tanques queimados.
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Correio do Povo, 16/06/2006)