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2005-12-29
O Banco Itaú lançou três linhas de financiamento socioambiental, duas destinadas a pequenas e médias empresas e uma a pessoas físicas. O Itaú junta-se assim a um restrito grupo de bancos brasileiros em que a responsabilidade socioambiental influencia diretamente a linha de negócios.

"Estamos reforçando a agenda socioambiental", disse o vice-presidente do Itaú, Antônio Jacinto Matias.

Linda Murasawa, superintendente do ABN AMRO Real, o primeiro banco a lançar esse tipo de produto no mercado brasileiro, há três anos, afirmou que " a demanda por esse tipo de linha de crédito vem agora do próprio mercado". Ao adotar os princípios de boa governança corporativa, as empresas passaram a se preocupar também com as questões socioambientais.

Um dos principais motores da nova tendência do mercado financeiro foi conjunto de recomendações socioambientais estabelecidas pela International Finance Corporation (IFC) para serem exigidas de projetos acima US$ 50 milhões, conhecido como Princípios do Equador.

Dos 36 bancos que aderiram, cinco são brasileiros: Banco do Brasil (BB), Bradesco, Itaú, Itaú BBA e Unibanco. Mas também aderiram grandes bancos internacionais que operam no país como o ABN AMRO, Citigroup, Bank of America e HSBC.

Conforme Linda explicou, a aplicação dos Princípios do Equador aos grandes projetos de financiamento "fatalmente chegou às pequenas e médias empresas por causa da cadeia produtiva e da terceirização".

As duas linhas do Itaú destinadas a pessoas jurídicas beneficia empresas clientes do banco com faturamento mínimo de R$ 10 milhões por ano. Os recursos liberados na modalidade de compror e giro ambiental pode ser utilizados para financiar a aquisição de bens e serviços ou a implantar projetos que visem a redução da emissão de poluentes ou resíduos, a adoção de tecnologias menos agressivas ao meio ambiente, à obtenção da certificação ambiental e o incentivo educacional.

Para pessoa física, o Itaú lançou o leasing para portadores de necessidades especiais comprarem próteses e cadeiras de rodas, com valor mínimo de R$ 4 mil e prazo de 24 meses (microcomputadores) a 36 meses (demais).

A linha do ABN é mais ampla. Para pessoas jurídicas com faturamento acima de R$ 30 milhões por ano, inclui crédito direto ao consumidor (CDC) ambiental para a compra de equipamentos para redução de gases e reuso de água, por exemplo; leasing, capital de giro e Finame. Linda destacou o CDC Produção Mais Limpa, criado em parceria com a Fiesp/Ciesp, destinado a empresas de pequeno e médio porte.

O ABN AMRO já fechou 70 contratos de financiamento socioambiental, totalizando cerca de R$ 100 milhões. Para pessoas físicas e pequenas empresas (faturamento até R$ 30 milhões por ano), foram fechados 11,3 mil contratos totalizando R$ 35 milhões.

No conceito do ABN AMRO, a agenda social inclui também a preocupação com questões de saúde. "Temas recentes como a gripe aviária, vaca louca e o crescente interesse pelos alimentos orgânicos, por exemplo, criaram novas necessidades como a rastreabilidade de animais e a certificação de alimentos. Por isso, está aumentando a demanda por crédito para adaptação das empresas a essas novas exigências do mercado consumidor", explicou Linda. (Valor Online, 28/12)

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