Investidores estimulam proteção ambiental
2005-06-10
Uma das principais iniciativas ambientais surgidas dentro do mercado de finanças acaba de receber o apoio da maior representante de instituições financeiras do Brasil. A ANBID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) se comprometeu a participar do Carbon Disclosure Project (Projeto de Transparência sobre Carbono), um movimento de investidores de todo o mundo que visa estimular as maiores empresas do planeta a proteger o meio ambiente.
O projeto é fruto da união de 155 grupos investidores, que juntos detêm mais de US$ 20 trilhões — com a participação de alguns brasileiros, como a BrasilPrev, Banco do Brasil, InterBrazil Seguragora, ABRAPP (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar). Eles enviam um questionário anualmente para as quinhentas maiores empresas do mundo, listadas pelo jornal inglês Financial Times. Nessa carta há uma lista de perguntas sobre as estratégias adotadas por essas companhias em relação às mudanças climáticas e à redução da emissão na atmosfera de gases do efeito estufa.
As empresas não têm obrigação de responder. No ano passado, 300 das 500 companhias enviaram informações, entre elas a brasileira Petrobras. A Companhia Vale do Rio Doce, que também consta da lista, não respondeu. No ano anterior, 2003, o primeiro da pesquisa, havia acontecido o contrário: a Vale respondera as perguntas e a Petrobras, não. Na lista do Financial Times de 2005, além das duas empresas, consta também o Banco Itaú como representante brasileiro. Segundo Marcelo Rocha, da consultoria Fábrica Éthica, que coordena o projeto no Brasil, neste ano as três empresas têm intenção de responder.
As informações repassadas pelas companhias são publicadas em um documento, disponibilizado a todo o mercado financeiro e ao público em geral. — O objetivo é dar ferramentas e informações para os investidores que quiserem trabalhar com empresas preocupadas com o meio ambiente - explica Rocha. — Assim, se um grupo quer investir em uma empresa, ele já vai saber, com antecedência, como essa empresa se comporta em relação às emissões de carbono na atmosfera - exemplifica.
A participação da ANBID sinaliza uma preocupação ambiental por parte das 75 instituições que ela agrega, como os bancos Bradesco e Citibank. — Participar do Projeto não tem nenhum custo para os investidores e traz muitas vantagens, como fortalecer sua imagem, por exemplo - afirma Rocha. Com seu nome na carta que será entregue às empresas, a associação indica que seus associados vão levar em conta a questão das mudanças climáticas em seus futuros investimentos.
No Brasil, o Projeto conta com o apoio do PNUD e do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), além do Banco Real, da Price Waterhouse Coopers e de outros parceiros. (PNUD Brasil, 09/06/2005)