Protetores dos animais lançam alerta a respeito de epidemia global
2005-03-04
A Sociedade Mundial para a Defesa dos Animais (WSPA) produziu, em novembro do ano passado, um documento que passou despercebido, alertando sobre as conseqüências desastrosas que podem advir para os seres humanos da continuidade da criação de animais em cativeiro, da forma como eles vêm sendo criados, para consumo humano. Não se trata, absolutamente, de um documento romântico em defesa dos animais, apenas. Mas de um alerta sobre uma série de epidemias que se alastram rapidamente, afetando a saúde humana, em decorrência de um modelo de produção insustentável, além de cruel para com os animais.
O documento, assinado por Danielle Nierenberg, do WorldWatch Institute, e Leah Garcés, da WSPA, mostra que, se os governos não fizerem nada para deter a continuidade e o avanço dos confinamentos (criatórios) de frangos, suínos e outros animais destinados ao consumo humano, os riscos contra a saúde humana serão crescentes. As principais críticas são a concentração de animais em espaços muito reduzidos, de modo que seus excrementos se acumulem e infectem, primeiramente, os trabalhadores que com eles lidam, e a utilização maciça de alimentos concentrados, com uso de antibióticos.
O alerta vem no momento em que o Instituto Internacional para Políticas Alimentares (IFPRI) estima um aumento expressivo do consumo de carne em todo o mundo. Em nível global, este aumento deve ser de 13%, entre 1993 e 2020, passando de 34 quilos por pessoa por ano para 39 quilos por pessoa por ano. A China é o país em que o consumo de carne deve crescer mais: 45% no período, passando de 33 quilos por pessoa por ano para 60 quilos por pessoa por ano. Destacam-se também a Índia, com aumento de 25% (quatro para seis quilos por pessoa por ano) e a América Latina, com incremento de 22% (de 46 para 59 quilos por pessoa por ano).
O grande problema da produção intensiva de animais de corte está nos impactos ambientais para a água e o solo (poluição por dejetos orgânicos e antibióticos). A WSPA recomenda a criação extensiva, com alimentação orgânica dos animais. A continuar a situação atual, o risco de proliferação de doenças como a encefalopatia espongiforme (doença de Creutzfeldt-Jacob), ou mal da vaca louca, e a gripe do frango, podem virar epidemias.
Até abril do ano passado, a doença da vaca louca atingiu 146 pessoas. Já o vírus da gripe do frango matou 28 pessoas no Vietnã, desde janeiro de 2004. Em fevereiro de 2003, a Holanda registrou uma mutação desse vírus, e mais de 30 milhões de aves tiveram que ser sacrificadas ou morreram por causa da doença. No Canadá, o mesmo tipo de vírus implicou o sacrifício de 17 milhões de frangos.
Além dos custos econômicos e de danos à saúde humana, a criação intensiva lesa seriamente os direitos dos animais. Em muitos locais, porcas são criadas e ficam prenhes em espaços tão exíguos que não conseguem mudar de posição nem para dar à luz os filhotes, denuncia a WSPA.