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2020-05-02 | Mariano senna
O texto abaixo foi escrito em 16/11/2017.

Novembro encerra sua primeira quinzena com boas novas. O crescimento será ainda maior ano que vem. Pelo menos na Alemanha. Tanto que o governo já anunciou um reajuste de mais de 3% para os aposentados.

A controvérsia fica por conta da origem da persistente bonança. A pujante e aclamada indústria. Invejado mundialmente, o segundo setor alemao vive há alguns anos uma série de contestacoes de ordem política e ética. É o que alguns especialistas chamam de reajuste estrutural, ligado as responsabilidades de quem mais fatura com a exploracao dos recursos naturais e humanos.

Na área de energia o principal avanco é o frágil, e ainda sem solucao, desligamento das usinas atômicas. Muito sensatos, os políticos alemaes decidiram desligar sua dúzia e meia de reatores ainda em funcionamento até meados da próxima década. Só nao conseguiram dizer quem vai pagar pelo desmantelamento e armazenamento dos resíduos.

A discussao já tem décadas e o desgaste só tem aumentado interna e externamente, especialmente pelo fato de que empresas alemas como a Siemens continuarao a montar, operar e manter reatores atomicos pelo mundo. E com o incentivo e subsidio do próprio governo, defensor do desligamento das usinas do país.

A dupla-moral fica ainda mais clara com a solucao que se encaminha para suprir a demanda depois que as atômicas sairem do grid. Essa semana, em Bonn, durante a conferência mundial do clima, políticos e empresários alemaes se reuniram para defender "mais flexibilidade". Trocando em miúdos, querem menos pressao, cobranca e regras que impecam o "desenvolvimento". Admitem enfim, que as fontes alternativas nao darao conta do recado e que a única saída viável é apostar no velho e bom carvao, hoje já respondendo por mais de 50% do abastecimento. Isso em um evento que iniciou admitindo o próprio fracasso: o mundo aumentou suas emissoes em 2% no ultimo ano. Das metas estabelecidas há decadas, estamos cada vez mais longe.

Nada novo. A novidade é a capacidade de indignacao inversamente proporcional ao tamanho do problema. Mais uma mágica do marketing corporativo. O prêmio de melhor case deste ano vai sem dúvida para a indústria automobilística. Depois que a aposta na tecnologia se esfacelou no fiasco internacional da Volkswagen, pega em flagrante vendendo carros diesel poluidores como se fossem limpos, nada mais se sustenta no discurso da sustentabilidade corporativa. Mas a imagem continua milagrosamente intacta, como o preco dos veículos. 

O máximo que aconteceu foi as montadoras, em cartel, negociando as multas com os órgaos reguladores. Nada de punicoes severas ou boicote de consumidores. Durante a conferência de Bonn, as principais fabricantes alemas anunciaram uma "revolucao" (pela terceira ou quarta vez). Exigiram recursos e incentivos do governo para investir em veículos elétricos. Tudo em nome da infraestrutura e da sustentabilidade econômica.

Mas se formos apontar o telhado de vidro mais inquebrável da Alemanha, é impossível negar que a aposta é ganha de longe pela indústria das armas. Nao há ano em que os próprios jornais alemaes deixem de denunciar ligacoes e negocios com organizacoes criminosas, ditadores etc. Enfim, a pior corja da humanidade. Mesmo assim as empresas continuam vendendo como água no deserto, e mesmo com legislacao especifica proibindo negócios com países, governos e instituicoes de histórico negativo, elas têm conseguido o milagre das autorizacoes do parlamento para tais transacoes.

Na semana que acaba, o escandalo da vez foi a venda de tanques, misseis, barcos e equipamentos militares para Arábia Saudita, Egito, Israel e Argélia. Uma bagatela de meio bilhao de Euros. Interessante lembrar que esses quatro países estao entre os principais exportadores de refugiados e imigrantes para a Europa na atualidade.


Por Mariano Senna, Berlin, 16/11/2017

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