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2020-04-25 | Mariano senna
Por Mariano Senna, de Berlin

No dia em que a Uniao Européia obteve consenso sobre o “pacote de resgate” da economia do bloco, um total de 500 Bilhoes de Euros, agências de notícias informavam o início das negociacoes entre governo e empresas aéreas. A gigante do turismo TUI recebeu 1,6 Bilhao de Euros nas primeiras semanas da pandemia, e agora pleiteia pelo menos o dobro. A Lufthansa pede outro um bilhao de Euros. A quarentena do corona-virus ja custou 166 Bilhoes de Euros ao tesouro alemao na forma de ajuda a empresas e trabalhadores.

“Devemos evitar a imagem de um Estado que nos ajuda distribuindo dinheiro numa emergência como essa. Em algum momento teremos que pagar essa conta”, aponta Reiner Hoznagel, presidente da Federacao Alema dos Contribuintes. Na linha de frente, um quinto das empresas do país pretendem demitir funcionários, segundo o IFO-Institut (www.ifo.de). Em meio a esse turbilhao, a pergunta do dia foi: como uma sociedade democraticamente organizada asssume o desafio contra uma massiva ameaca contra a vida? Olhando para trás, é inevitável a pergunta sobre se tudo isso era necessário.

 Dr. Christian Drosten, Virólogo da Charité de Berlin, e um dos principais responsáveis pela estratégia adotada pelo governo alemao para conter a pandemia, ajuda a responder. “No mundo todo, 2,6% das pessoas infectadas pelo corona virus, independente da idade, precisam ir para o hospital. Para termos uma informacao mais precisa sobre a situacao, precisamos saber também o que ocorre fora dos centros de saúde. Segundo os modelos estatísticos mais avancados, 0,5 % de todas as pessoas infectadas pelo virus morrem”, explica ele. Detalhe, para os acima de 80 anos a mortalidade é de 8,3%.

Parece nada, um peido molhado na taxa de mortalidade. Cerca de 70% da populacao de 85 milhoes da Alemanha deve ser contaminada pelo virus, de um jeito ou de outro, de acordo com os dados apresentados pelo co-descobridor do Corona-virus da SARS em 2003. Fazendo as contas com calma, serao 280 mil pessoas que morrerao quando a contaminacao atingir esse número de pessoas, e a taxa de mortalidade da doenca for mantida. Christian Drosten lembra que se as pessoas nao puderem ser atendidas nos hospitais por conta da superlotacao, o percentual de mortos em relacao ao número de infectados aumenta. “Em algumas regioes da itália esse percentual chegou a 12%”.

Dr. Drosten aposta sua reputacao contra aquilo que chama de “boa vontade política”. “Há tanta fantasia a respeito de como podemos regular nosso comportamento no sentido de proteger-nos de um virus assim”, conta ele, sem esquecer de frizar que máscaras e luvas nao serao suficientes para garantir seguranca. “Nao ficarei surpreso se observarmos nas próximas semanas um retorno da corrente de infeccoes que tivemos nas primeiras semanas da epidemia”.

Contrário a qualquer apelo dramático, o mais importante virólogo alemao invoca a cautela recomendada pelas autoridades. “Passamos por um teste, como nao viviamos desde o fim da segunda guerra mundial, ninguém faz com prazer, mas é a verdade, temos hoje nao o final da pandemia, mas o comeco”, consentiu a primeira ministra, Angela Merkel, durante seu discurso no Parlamento.

“O Estado é de absolutamente dispensável. É tempo de relaxar a restricao de direitos funtamentais, e delegar a responsabilidade pelas medidas de protecao a cada individuo”, defendeu Alexander Gauland, uma das proeminentes figuras do Afd (Alternative für Deutschland), partido de extrema direita da Alemanha.

Para o líder do Partido Verde no Reichtag, Anton Hofreiter, se o assunto é prevencao, entao nao podemos esquecer da questao climática. Enquanto “a crise do Cororna” monopoliza atencoes, o hemisfério Norte arde, com incêndios florestais espalhados pela Ucrânia, Russia, Polônia, Alemanha e Holanda. 

Na Alemanha a seca é recorde desde 2018. Ainda assim, os alemaes assistem impassíveis a recordes de temperatura e de reducao pluvial. Dados oficiais apontam que praticamente um terco do país vive uma seca extraordinária para os padroes observados pela ciência há pelo menos cem anos. “É uma verdadeira catástrofe”, diz Philipp Fölsch, diretor da Produtos Agrários Dambec enquanto cava no solo seco e arenoso da sua plantacao de milho. Segundo Dr. Andreas Marx, do Centro Helmholtz de Pesquisa em Meio Ambiente, as medicoes de umidade do solo indicam que a seca irá perdurar por toda temporada de verao.

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