Um teste feito pela TV Ambiental comprovou que a poeira encontrada nas casas dos capixabas está carregada de minério de ferro mesmo após a instalação das WindFences, pela Vale. A denúncia vai de encontro a afirmações divulgadas nos últimos dias de que o problema agora seria de responsabilidade da Arcelor Mittal.
A afirmação, feita por representantes da sociedade civil e MPES, em debate na rádio CBN, dá conta de que a Vale já teria cumprido todas as exigências para minimizar sua poluição, enquanto a Arcelor Mittal, se recusaria a assinar um acordo entre as partes para implantar novas tecnologias em sua siderúrgica.
Porém, segundo os moradores dos bairros Praia do Canto, Mata da Praia, Jardim da Penha, Jardim Camburi, Ilha do Frade, Ilha do Boi, em Vitória e Praia da Costa, em Vila Velha, o minério continua chegando a casa dos capixabas mesmo após a instalação das WindFences, pela Vale.
Segundo os moradores, é certo que a poeira que chega a casa dos capixabas conta com a contribuição da ArcelorMittal, porém, após um teste feito pela TV Ambiental, na Ilha do Boi, em Vitória, ficou claro que o minério ainda chega em grande quantidade às residências da região.
A informação é que a Vale instalou as WindFence; o enclausuramento das áreas de transferência de minério entre uma correia; a troca de seus carregadores de navio por um novo modelo que inclua uma tromba , entre outras medidas, que não foram capazes de minimizar seus impactos, visto que sua produção continua crescendo no Estado.
Já a Arcelor MIttal, que também possui responsabilidade pelo pó que chega às casas dos capixabas, se recusou a assinar um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) dificultando o processo de despoluição da Grande Vitória. A empresa conta ainda com a vantagem de a cidade de Vitória não possuir qualquer estudo que identifique sua responsabilidade no problema. O estudo sobre o DNA do pó preto, por exemplo, foi prometido em 2007, mas até agora não tem data para ser entregue a população.
Neste contexto, os esforços se concentram na luta para que a siderúrgica assine o acordo com a sociedade e poder público, para instalar aqui, a mesma tecnologia utilizada no exterior, mas enquanto isso, paralelamente o Estado continua licenciando novos empreendimentos no Complexo de Tubarão, como é o caso da 8° usina da Vale, preocupando a população.
“Esta poeira afeta a saúde agravando casos de doenças pulmonares e cardíacas. Além do minério há também outros produtos tóxicos nesta poeira que fazem muito mal a saúde”, ressaltou o médico alergista e imonologista, José Carlos Perim, em entrevista a TV Ambiental.
Além disso, o índice de óbitos por doenças respiratórias na região metropolitana corresponde a 9% dos óbitos registrados, contra 6% registrados em 2006, o que vem assustando médicos e pacientes ligados ao tratamento de doenças respiratórias.
(Por Flavia Bernardes, Século Diário, 27/03/2012)