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emissões de co2 aumento da temperatura crise climática
2011-11-10 | Rodrigo

Depois de uma década de queda, índice de emissões de CO2 ultrapassou crescimento do PIB mundial em 2010, aumentando liberação de dióxido de carbono por unidade produção em 0,6%

Apenas alguns dias após o Departamento de Energia dos EUA ter divulgado que os níveis de CO2 subiram 6% em 2010 e estão mais altos do que o cenário mais pessimista dos cientistas, uma nova má notícia vem se juntar ao panorama climático global. Nesta terça-feira, um relatório da empresa de consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) revelou que a intensidade global de carbono – nível de emissões de CO2 por unidade de produção – voltou a subir depois de dez anos, ultrapassando o crescimento do PIB mundial.

De acordo com o Low Carbon Economy Index da PwC, as emissões dos gases do efeito estufa (GEEs) aumentaram 5,8% em 2010, excedendo o crescimento do PIB mundial de 5,1%, o que levou a uma alta de 0,6% na intensidade de carbono, ou seja, a liberação de CO2 por unidade de produção.

Segundo o relatório, a causa desse aumento foi a soma de vários fatores, como o forte crescimento da economia de países emergentes, como a China, o Brasil e a Coreia do Sul; um inverno anormalmente frio no Hemisfério Norte, o que levou a um uso mais intenso de aquecedores; uma queda no preço do carvão em relação ao gás; a desaceleração no desenvolvimento das energias renováveis e a recuperação da economia mundial após a crise.

Agora, para manter os dois graus Celsius no aumento da temperatura terrestre que muitos cientistas indicam ser o limite para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas, será preciso diminuir a intensidade de carbono a um índice de 4,8% ao ano.

Esse valor é mais do que o dobro dos 2% que eram necessários em 2000. E para alcançar essa descarbonização de 4,8%, seria preciso investir US$ 500 bilhões por ano até 2020, mais do que o dobro dos US$ 243 bilhões usados para financiar empreendimentos de baixo carbono em 2010.

Na verdade, segundo o documento, a maioria dos países conseguiu reduzir a intensidade de carbono de suas economias na última década. O problema é que essa diminuição ocorreu de forma muito lenta – a um ritmo mundial de 0,7% ao ano – e a situação foi agravada pelo aumento da intensidade de CO2 em 2010.

“As economias do G20 deixaram de se dirigir na direção certa muito lentamente para se dirigir para a direção errada”, alertou Leo Johnson, parceiro em práticas de sustentabilidade e mudanças climáticas da PwC.

“Estamos no limite do que é atingível em termos de redução de carbono, quando se considera os ciclos de crescimento previstos para nações desenvolvidas e em desenvolvimento, contra o que é requerido em termos de redução de carbono para se manter dentro do cenário de 2º C”, acrescentou Johnson.

Mas apesar do crescimento econômico de muitos países ainda estar ligado ao aumento da intensidade de carbono, o relatório mostrou que há exemplos de nações que conseguiram desvincular estes dois índices. Uma delas é a Austrália, que teve um crescimento de 3% no PIB e ao mesmo tempo conseguiu reduzir suas emissões em 8,2% no último ano.

Outro exemplo de dissociação entre intensidade de carbono e desenvolvimento econômico é o México, que em 2010 cresceu 5,5%, mas teve um aumento quase nulo (0,1%) na sua liberação de CO2. Neste sentido, pode-se citar também a Argentina, que teve uma recuperação econômica de 9,2% no mesmo período, ao mesmo tempo em que suas emissões aumentaram apenas 4%.

Para os autores do relatório, a façanha desses países mostra que é possível desvincular o crescimento econômico e as emissões de carbono. No entanto, o documento admite que essa mudança é difícil, pois esbarra em muitos obstáculos como custos, aceitação da sociedade, disponibilidade tecnológica etc.

“Atingir as taxas necessárias de produtividade de carbono requer uma revolução na forma como o mundo produz e usa a energia. Combinada a isso, e em meio a uma crise financeira global, precisamos de uma transformação no financiamento para atingir a transição na escala e velocidade necessárias”, explicou Jonathan Grant, diretor do PwC.

Ainda assim, Grant enfatiza que iniciativas para realizar essa transição devem ser postas em prática o mais rápido possível, a fim de garantir melhores resultados e evitar que os custos sejam ainda maiores para uma mudança para uma economia de baixo carbono.

“Adiar ações para romper a ligação entre o alto carbono e o crescimento econômico significa que as reduções exigidas no futuro serão maiores, e serão mais dispendiosas, ameaçando mesmo os consumidores”, concluiu Grant.

(Por Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil, 08/11/2011)


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