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desastre de fukushima usinas nucleares política nuclear
2011-09-09 | Rodrigo

O desastre de Fukushima, no Japão, gerou um efeito inesperado: está forçando o mundo a tornar-se mais dependente do que nunca de envelhecidas usinas nucleares e se as empresas de energia conseguirem impor seus desejos, essas plantas continuarão em operação décadas a mais do que se previa.

Uma série de novos reatores havia sido planejada para os Estados Unidos e outros países, mas a reação contra a energia nuclear desencadeada pelo desastre tem esmaecido as perspectivas de um "renascimento nuclear". Poucos países, no entanto, têm manifestado alguma intenção de desistir de plantas já existentes, muitas vezes consideradas essenciais para atender às demandas de energia.

Nos EUA, dois terços dos 104 reatores nucleares tiveram suas licenças originais de 40 anos prorrogadas por mais 20 anos, incluindo nove prorrogações concedidas depois do acidente no Japão. As autoridades regulamentadoras estão conduzindo investigações para ver se os reatores dos EUA poderiam operar durante 80 anos. A França está indo adiante com planos para estender a vida de algumas usinas para 60 anos.

Isso tem perturbado alguns críticos da energia nuclear, que dizem que as usinas antigas são mais perigosas do que as novas e os procedimentos para a prorrogação de licenças não são suficientemente rigorosos.

Nos EUA, por exemplo, as usinas mais velhas tiveram problemas, tais como vazamento de líquido radioativo no solo por tubos corroídos, embora os regulamentadores digam que nenhum deles expôs o público a doses excessivas de radiação.

A Comissão de Regulamentação Nuclear dos EUA (NRC na sigla em inglês) nunca recusou um pedido de uma empresa de energia para estender a vida de um reator nuclear, aprovando até agora 71 solicitações.

"Seria natural imaginar que os eventos no Japão iriam pelo menos desacelerar a maratona de extensões de licença", diz Paul Gunter, porta-voz da Beyond Nuclear, uma organização antinuclear no Estado americano de Maryland. "Mas não teve nenhum efeito."

A NRC afirma que não há razão para as usinas não operarem 60 anos ou mais se forem devidamente mantidas, e que planos detalhados de gestão do envelhecimento são uma condição fundamental para a renovação das licenças. Esses planos se concentram na inspeção e manutenção de equipamento que não são rotineiramente substituídos, como as estruturas de contenção dos reatores.

Em 30 de agosto, a equipe da NRC considerou "aceitável" o plano de gestão de envelhecimento da usina nuclear de Indian Point, da Entergy, a 42 quilômetros de Nova York, removendo um dos últimos obstáculos para a renovação de licença. O Estado de Nova York quer que os reatores sejam aposentados quando suas licenças expirarem, em 2013 e 2015.

Reatores envelhecidos estão se tornando algo comum. O Reino Unido tem quatro reatores com pelo menos 40 anos. A Suíça tem três. Rússia, Japão, Canadá, Índia, Paquistão e Espanha têm um cada. Mais de um terço dos 33 países com usinas nucleares nunca desativaram um reator, incluindo China, Índia, Argentina e Brasil.

Os defensores e opositores da energia nuclear concordam que a longevidade das usinas está aumentando. "A ideia, na França, nos EUA, e praticamente em todo o mundo, é prolongar a vida útil desses reatores", diz Mycyle Schneider, consultor nuclear em Paris que trabalha frequentemente para opositores da energia nuclear.

Nem todos os países que dependem da energia nuclear planejam manter suas velhas usinas em operação. Em junho, o governo alemão decidiu fechar todos seus 17 reatores até 2022, e já desativou oito.

Em julho, o então primeiro-ministro japonês disse que queria que o país eliminasse gradualmente a energia nuclear, embora os céticos se perguntem se uma nação tão carente de recursos energéticos como o Japão pode se dar ao luxo de fazer isso. A Suíça informou que vai aposentar seus cinco reatores quando suas licenças expirarem entre 2019 e 2034.

Vários operadores de usina nucleares dos EUA estão se afastando de construção de novos reatores. A NRG Energy anunciou em abril que estava abandonando planos de construir dois reatores no Texas. A NRG informou que o acidente criou mais incerteza sobre os requisitos nucleares no país e pode levar a atrasos onerosos na obtenção de aprovações.

Além disso, o projeto carecia de clientes comprometidos em comprar a energia, e depois do acidente, seria mais difícil encontrá-los, disse o diretor-presidente da NRG, David Crane.

Outras empresas também vêm desistindo de planos, incluindo a Exelon e a Progress Energy, e outros fatores têm contribuído para essa decisão. Grandes quantidades de gás natural barato estão tornando mais atraente a construção de usinas de geração de gás.

Em julho, a Força-Tarefa do Japão criada pela NRC sugeriu alterações para melhorar a segurança dos 104 reatores do país. Ela não sugeriu nenhuma alteração na forma como as licenças são renovadas.

Existem duas abordagens básicas para licenciamento em todo o mundo. Alguns países, incluindo os EUA e a Finlândia, dão licenças para períodos predeterminados, e então concedem extensões. Outros, como a França, a Holanda, o Japão e o Reino Unido, concedem licenças por tempo indeterminado e exigem que as usinas se submetam a revisões periódicas de segurança, normalmente a cada dez anos, para continuar operando.

Nos EUA, novas usinas obtêm licenças de 40 anos. Empresas de energia estão autorizadas a iniciar o processo de renovação de licença quando os reatores completam 20 anos, o que significa que podem começar as renovações muito antes de que alguns problemas se desenvolvam ao longo do tempo.

Quase todos os reatores construídos em todo o mundo antes de 1970 já foram desativados - decisões geralmente feitas por energéticas que concluíram que eles eram muito pequenos, ineficientes ou problemáticos. Mas muitos reatores construídos no início os anos 70 ainda estão em uso.

À medida que as usinas nucleares envelhecem, as tubulações subterrâneas que transportam líquidos radioativos muitas vezes oxidam e geram vazamentos. De acordo com a NRC, 65 reatores nos EUA vazaram material radioativo em águas subterrâneas, embora a agência informe que nenhum desses incidentes submeteu o público a doses de radiação que excedam os limites legais.

A deterioração de fios elétricos representa outro problema. Em dezembro passado, a NRC avisou a empresas de energia que havia identificado 269 casos de fios elétricos que falharam nos últimos anos e advertiu que o problema está piorando à medida que as usinas envelhecem. Isso é preocupante porque falhas de fios elétricos podem desativar sistemas de segurança importantes.

A indústria afirma que a NRC exige ação imediata se uma preocupação de segurança é exposta. "A NRC não espera que alguém a procure para pedir uma renovação da licença. Se há um problema, ela o enfrenta", diz Tony Pietrangelo, diretor do Instituto de Energia Nuclear, um grupo que representa os proprietários de reator.

A NRC exige que as usinas que pedem prorrogações de licença tenham um plano de gestão de envelhecimento detalhando como a deterioração das estruturas e equipamentos serão tratados. Mas diversos incidentes têm levantado dúvidas sobre se a indústria pode ficar com a responsabilidade de identificar e corrigir problemas relacionados ao envelhecimento, conforme necessário.

(Por Rebecca Smith, The Wall Street Journal / Valor Econômico / IHU On-Line, 09/09/2011)


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