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areias betuminosas oleodutos política ambiental dos eua
2011-08-29 | Rodrigo

O governo Obama deu na sexta-feira (26) um sinal verde crucial para um proposto oleoduto de 2.753 km, que levaria óleo pesado do Canadá, atravessando as Grandes Planícies, até terminais em Oklahoma e na Costa do Golfo, dizendo que o projeto forneceria uma fonte segura de energia sem danos significativos ao meio ambiente.

Ao chegar à conclusão de que o oleoduto Keystone XL dos depósitos de areias betuminosas em Alberta teria impacto ambiental mínimo, o governo rejeitou as críticas dos ambientalistas, que diziam que a extração do petróleo teria um impacto devastador sobre o clima e que um vazamento ou ruptura do oleoduto de 91 centímetros de diâmetro poderia causar um desastre ecológico. Os oponentes também disseram que o projeto também prolongaria a dependência do país de combustíveis fósseis, ameaçaria vida selvagem e terras sensíveis e adiaria ainda mais o desenvolvimento de fontes de energia limpa.

O Departamento de Estado disse em um relatório de impacto ambiental que a proprietária do oleoduto, a TransCanada, reduziu os riscos de acidente a um nível aceitável e que os benefícios de importação de petróleo de um vizinho amistoso superam os custos potenciais.

A aprovação final do projeto de US$ 7 bilhões não ocorrerá antes do final do ano, após audiências públicas e consulta a outras agências federais. Mas o relatório do Departamento de Estado deu na sexta-feira todo indício de que o governo está preparado para o prosseguimento do Keystone. O oleoduto deverá começar a funcionar em 2013, a menos que seja atrasado por processos ou outros obstáculos.

Para muitos no movimento ambiental, a aparente aceitação do oleoduto pelo governo foi mais uma decepção, após as recentes decisões de aprovar a exploração no Oceano Ártico, a abertura de mais 8 milhões de hectares em concessões de petróleo no Golfo do México e o adiamento de várias regulamentações importantes de qualidade do ar. O movimento ainda está irritado com o fracasso do governo em aprovar a legislação para a mudança climática no Congresso.

Analistas e ambientalistas disseram que essas decisões provocaram um grande racha, talvez sem volta, entre o presidente democrata e os eleitores com preocupação ambiental.

Michael Brune, presidente do Sierra Club, pediu ao presidente Barack Obama que vetasse o projeto, apesar da disposição do Departamento de Estado para que ele prossiga.

“A autoridade de tomada de decisão é exclusivamente do presidente”, ele disse. “O Keystone XL é uma questão de peso para nossos jovens líderes no Sierra Club, mas eles também estão observando as ações do presidente em outras proteções ambientais e de saúde pública de importância chave. Será cada vez mais difícil mobilizar a base ambiental e os jovens em particular para atuarem como voluntários, para bater em milhares de portas, dedicar dias de 16 horas de trabalho, para doar dinheiro, se não acharem que o presidente tem coragem de enfrentar os grandes poluidores.”

A ampliação proposta do oleoduto Keystone XL ligaria as areias betuminosas do Canadá a várias refinarias vitais nos arredores de Houston e na Costa do Golfo que refinam óleo cru pesado. O Keystone XL também ligaria o combustível sintético a uma vasta rede de oleodutos que saem do Golfo do México para várias grandes áreas metropolitanas na Costa Leste.

Kerri-Ann Jones, secretária-assistente de Estado para oceanos e meio ambiente internacional, disse em uma coletiva de imprensa por telefone que o relatório de impacto ambiental divulgado na sexta-feira não é a palavra final sobre o projeto. O presidente precisa determinar que o projeto é de interesse econômico, político, de segurança de energia e ambiental do país, ela notou.

Mas o relatório conclui, segundo ela, que “não haveria impactos significativos na maioria dos recursos ao longo do corredor do oleoduto” se a operadora do projeto seguir todas as leis relevantes, apesar de ter dito que alguns recursos culturais nativo-americanos e o hábitat de algumas plantas e vida selvagem poderiam ser afetados de modo adverso.

A TransCanada insiste que seu oleoduto será tão seguro quanto qualquer outro na América do Norte. Ela se recusou a mudar seu pedido diante das críticas, que dizem que a parede de meia polegada de espessura do oleoduto não é resistente o suficiente para pressões máximas de fluxo, uma alegação que a empresa nega.

A empresa concordou com as 57 condições impostas pelo Departamento dos Transportes meses atrás, incluindo que o oleoduto fique enterrado a mais de 1 m de profundidade, se comprometa a realizar monitoramento aéreo e por terra frequente e estabeleça a distância máxima entre as válvulas de fechamento em 32 km.

“Nós acreditamos que estamos construindo o oleoduto mais seguro na América do Norte”, disse Terry Cunha, um porta-voz da TransCanada.

O governo canadense fez um forte lobby pela extensão do oleoduto, unindo forças com companhias de petróleo como a Shell e a Exxon Mobil, que têm grandes investimentos na exploração da areia betuminosa canadense. A futura expansão da produção de petróleo a partir de areia betuminosa corre risco, já que o crescimento planejado da produção poderia ultrapassar a atual capacidade dos oleodutos em menos de cinco anos.

Gary Doer, o embaixador do Canadá nos Estados Unidos, disse que a construção do oleoduto geraria 20 mil empregos em construção e mais 100 mil empregos indiretos em serviços e suprimentos.

“É bom para a economia americana, para os empregos americanos e para a segurança de energia dos Estados Unidos”, ele disse. “Se você perguntar aos americanos se trocariam o Oriente Médio pelo Canadá, eles diriam que sim.”

Doer disse que as emissões de carbono a partir da produção e refino das areias betuminosas caíram aproximadamente 40% por barril desde 1990, e ainda mais melhorias estão sendo desenvolvidas.

“Nós continuamos trabalhando no desenvolvimento sustentável”, ele disse. “Nós também acreditamos na limpeza da água e do ar.”

O Canadá, que já é a fonte número 1 dos Estados Unidos de petróleo importado, produziu 1,5 milhão de barris por dia de óleo cru sintético a partir de areias betuminosas em 2010, espera expandir o total para 2,2 milhões de barris até 2015 e então para 3,7 milhões de barris por dia até 2025. Tal nível de ampliação exigirá não apenas o projeto Keystone, mas também oleodutos para a costa oeste do Canadá, onde o óleo cru poderia ser exportado para a China e o restante da Ásia.

A expansão de Keystone aumentaria a capacidade do oleoduto canadense para 700 mil barris por dia, quase o equivalente ao petróleo produzido pela Malásia. Os defensores dizem que isso daria um grande impulso à economia canadense e aumentaria o comércio entre os dois países.

Se Keystone não for aprovado, o Canadá então prosseguiria com os planos para construção do oleoduto para sua costa oeste para aumentar a exportação, mas isso significaria adiamentos regulatórios causados pela oposição de grupos nativo-canadenses, cuja decisão tem peso nos territórios em que ocupam.

O Instituto Canadense de Pesquisa de Energia, um grupo de pesquisa com laços com a indústria do petróleo, estima que a ampliação de Keystone significaria mais de US$ 600 bilhões em investimentos adicionais e receita das operações nos projetos futuros e existentes de areias betuminosas até 2035.

Nos últimos anos, várias companhias que trabalham no Canadá reconheceram que precisam reduzir o impacto ambiental da extração de petróleo das areias betuminosas, que em muitos casos é extraída de poços profundos, em um processo que desmata grandes áreas de floresta boreal, que é área de procriação de muitas espécies de pássaros e sequestra naturalmente carbono, que caso contrário iria para a atmosfera como gases do efeito estufa.

A indústria diz que deseja reduzir os danos às florestas usando técnicas menos invasivas, como a injeção de vapor quente nas jazidas de betume, o ingrediente bruto do óleo cru, para removê-lo por canos no solo. Ela também está tentando reduzir as emissões pesadas de carbono provenientes do refino das areias betuminosas por meio de uma melhora da eficiência, queimando menos gás natural no processo.

Segundo a IHS-Cera, uma consultoria, as emissões de dióxido de carbono das areias betuminosas, incluindo o ciclo pleno da produção até a combustão e emissão pelos escapamentos dos automóveis, são muito maiores do que muitos óleos crus sauditas, mexicanos e venezuelanos, mas são comparáveis ou mesmo menores do que nos óleos crus produzidos na Califórnia, Nigéria e no Oriente Médio, fornecidos aos postos de gasolina americanos.

(Por John M. Broder e Clifford Krauss, com tradução de George El Khouri Andolfato, The New York Times / UOL, 27/08/2011)


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