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crise climática impactos mudança climática
2011-06-14 | Tatianaf

"A crise climática é, sem nenhuma dúvida, a maior tragédia da história da humanidade. Hoje, já morrem aproximadamente 10 milhões de pessoas por ano em consequência. Nem a III Guerra Mundial teria esse poder de destruição e até de extinguir a civilização”.

O alerta é do consultor e especialista em mudanças climáticas do Fórum SOS Clima Terra, Roberto Lennox, durante palestra "Emergência climática, Sustentabilidade e Aquecimento Global – dimensões geopolítica, técnica, moral, filosófica e espiritual”, proferida em Fortaleza, capital do estado nordestino do Ceará, no último dia 11.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que a sociedade e os governos precisam reduzir no mínimo 40% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) dos países ricos e reduzir entre 15% e 30% do crescimento das emissões futuras dos GEE dos países em desenvolvimento, até 2020. Até 2050, a ONU recomenda a redução de, no mínimo, 80% de todas as emissões de GEE no mundo.

Lennox explica que, mesmo se conseguirmos atingir estas metas, a temperatura do planeta subirá cerca de 2ºC, "em função dos gases que os países ricos já colocaram na atmosfera desde a revolução industrial”.

O palestrante revelou que, para cada grau de elevação da temperatura média, de acordo com cálculos matemáticos, deverão morrer até um bilhão de pessoas. Com isso, a probabilidade é de que morram, em decorrência do aumento da temperatura, cerca de dois bilhões de pessoas – o planeta é habitado, atualmente, por sete bilhões de seres humanos.

Em um cenário ainda pior, se os Estados não conseguirem atingir a meta de reduzir as emissões de GEE até 2020, a temperatura média pode subir entre 4 e 8 graus. "Se chegar a 8 graus, podem ser cerca de 8 bilhões de pessoas que morrerão, e a crise climática levará à extinção da civilização”, aponta.

O especialista citou dados da Defesa Civil Nacional, segundo os quais apenas nos últimos cinco meses enchentes e deslizamentos de terras em 17 estados brasileiros deixaram um saldo de mais de 3.500 mortos, 180 mil desabrigados, 5 milhões de feridos e 5 bilhões de prejuízos.

Para minimizar os efeitos da crise, Lennox afirmou ser necessária a substituição das energias fósseis, "sujas” – como carvão, petróleo e gás –, para as energias limpas, que aproveitam sol, ventos, marés e biomassas.

Por outro lado, no intuito de garantir proteção mínima aos países pobres e mais vulneráveis, o especialista considerou "mandatório” que os países ricos "transfiram gratuitamente a eles toda a sua tecnologia de energias limpas, financiem um fundo de 140 bilhões de dólares por ano para desenvolvê-los e, ao mesmo tempo, mitiguem os impactos climáticos nestes países pobres”.

Origens da crise
Lennox explica as origens da atual crise, localizadas no rompimento dos vínculos da humanidade com a natureza. "A humanidade precisa restabelecer o vínculo com a mãe natureza, a humanidade é parte da mãe natureza. Esta é a compreensão filosófica central neste debate”, frisa.

Outro fator desencadeante da crise, ligado também a essa perda do vínculo com a natureza, é o consumismo exagerado, em uma sociedade onde se associa o "ter” à felicidade, esquecendo-se do "ser”. "O entendimento é que ter o máximo de coisas possível nos leva à felicidade, ter muitas casas, ter muitos aviões, muitos iates, ter gado, ter pessoas. Esta lógica do ter, inexoravelmente, vai levar e já está levando à destruição da civilização”, afirmou o especialista.

Já a falta de democracia no acesso à informação se constitui em um obstáculo à conscientização e mobilização social. De acordo com o especialista, o SOS Clima Terra monitorou a mídia européia durante seis anos e observou que todos os dias há notícias sobre a questão climática, em espaços privilegiados.

Enquanto isso, a mídia brasileira, por exemplo, só aborda o assunto nas últimas páginas dos jornais. Segundo ele, justamente os países mais pobres, que serão os principais atingidos pela crise – África, periferia da América Latina e sul da Ásia – são os que menos têm acesso às informações.

Próximas palestras
A palestra de Roberto Lennox em Fortaleza foi a primeira de uma série promovida por SOS Clima Terra, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). As próximas acontecerão nos dias 26 de agosto, em Sobral, e 30 de agosto, em Juazeiro do Norte, nas respectivas sedes do IFCE. A participação é gratuita e basta se inscrever pelo e-mail sosclimaterra@yahoo.com.br, enviando nome completo, endereço, telefones de contato e profissão.

(Por Camila Queiroz, Adital, 14/06/2011)


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