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companhia siderúrgica de ubu emissões de co2
2010-12-16 | Tatianaf

Considerando a capacidade máxima de produção de 5,2 milhões de toneladas de aço por ano programada para a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), que está em vias de ser licenciada para ser implantada em Anchieta (sul do Estado), e as previsões para as emissões somente de CO2 (dióxido de carbono), entre 9,7 e 10,7 milhões de toneladas, no mesmo período, calcula-se que o valor corresponderá a 28,3% dos gases estufa de todas as siderúrgicas existentes no País, seguindo o Inventário Nacional dos Gases do Efeito Estufa.

Se forem comparadas apenas com as do estado do Rio de Janeiro, as emissões serão equivalentes a 83,8% dos gases lançados no ar da capital fluminense anualmente, excluindo apenas a siderúrgica inaugurada recentemente, também da Vale – em parceria com a alemã ThyssenKrupp -, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). No mesmo modelo da planta que será implantada em Anchieta, a CSA já causou graves problemas à saúde das comunidades do entorno, em Santa Cruz, por sérios episódios de poluição atmosférica. É, por isso, alvo de investigação no Ministério Público do Rio de Janeiro.

As informações sobre as emissões previstas para o sul do Estado, com o projeto da CSU, constam em nota pública divulgada pelo Grupo de Apoio em Meio Ambiente (Gama), que também aponta mudança no anúncio da capacidade máxima de produção da siderúrgica em relação ao apresentado pela empresa de consultoria Cepemar nas audiências públicas obrigatórias para o licenciamento ambiental. Com o agravante da localização do empreendimento, dentro de comunidades tradicionais e em Área de Preservação Permanente (APP) e de manguezal.

A entidade de Anchieta aponta que, de acordo com o inventário, a indústria siderúrgica liderou com mais da metade das emissões de CO2 do setor industrial, fora o setor de energia. Em comparação com outros processos industriais, utiliza mais intensivamente o carbono, que atua simultaneamente como combustível e redutor na produção de ferro gusa em alto-fornos.  Em ambas as funções, o resultado é a formação de grandes quantidades de CO2, quer como produto das reações de remoção do oxigênio dos óxidos de ferro (redução), quer como produto da combustão.
 
Embora o assunto esteja no centro dos debates em todo o mundo, já que é responsável por provocar o aquecimento global e contribuir significantemente para as mudanças climáticas, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) não revelou, nos estudos ambientais do empreendimento, a quantidade de emissões também de outros gases do efeito estufa, como o CH4 (Metano) e NMVOC (Compostos Orgânicos Voláteis, exceto Metano), CO (monóxido de carbono) e NOx (Número de Oxidação).

Situação que contraria o próprio Plano Nacional de Mudanças Climáticas, do governo federal, que estabeleceu a meta de reduzir entre 36,1 e 38,9% desses gases, até 2020.

A nota do Gama remete ainda ao 4° relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), indicando que um aumento de temperatura acima de 2° C em relação ao início da era industrial, geraria consequências desastrosas para a economia dos países e o bem-estar da humanidade, em termos de saúde, segurança alimentar, habitabilidade e meio ambiente, comprometendo de forma irreversível o desenvolvimento sustentável.

“No Brasil, traria graves reflexos sobre a produção agrícola, a integridade das florestas e da biodiversidade, a segurança das zonas costeiras e a disponibilidade hídrica e energética. Implicaria, portanto, em retrocesso no combate à pobreza e na qualidade de vida da sociedade”, diz o documento.

O licenciamento prévio da CSU será analisado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) nesta quinta-feira (16), às 14h. Na ocasião, deverá ser validado o que foi aprovado na Câmara Técnica de Grandes Projetos e liberada a autorização para as obras. Como de praxe, quando estão em questão os projetos poluidores das transnacionais, apoiados pelo governo Paulo Hartung.

Tempo recorde
Poucos meses após entrar em operação em Santa Cruz, Rio de Janeiro, em junho deste ano, a CSA foi multada em R$ 1,8 milhão, por poluição atmosférica. Os executivos da empresa são acusados, em ação penal, de cometerem quatro crimes ambientais, o principal deles, derramar ferrogusa em poços ao ar livre, sem qualquer controle de emissão. O que gerou registros de irritação de mucosas, problemas respiratórios e doenças de pele nos moradores das comunidades vizinhas.

Para apertar o cerco à poluição das siderúrgicas instaladas na capital fluminense, o Ministério Público daquele estado comunicou que assinou junto ao órgão ambiental acordo para contratar empresa idônea e isenta para fazer uma auditoria ambiental independente na CSA, como informa o Valor Econômico desta quarta-feira (15).

A medida foi considerada uma exigência para o início de operação do alto-forno número 2 da empresa, considerando o risco de novos episódios de poluição atmosférica por material particulado e danos à saúde dos moradores de Santa Cruz, como informou o mesmo jornal.

(Século Diário, 16/12/2010)


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