(29214)
(13458)
(12648)
(10503)
(9080)
(5981)
(5047)
(4348)
(4172)
(3326)
(3249)
(2790)
(2388)
(2365)
emissões de co2 cop/unfccc
2010-11-19 | Tatianaf

No fim do mês começa a Conferência da ONU sobre o Clima, em Cancún, que pretende reduzir as emissões de CO2. Enquanto isso, os políticos ainda estão relutantes em cortar as emissões de gases de efeito estufa que se acumulam na atmosfera durante séculos. Entrevista com o especialista suíço Fortunat Joos.

Para o responsável do Centro Oeschger de pesquisas sobre Mudanças Climáticas, em Berna, o mundo deve absolutamente acelerar o passo na luta contra o aquecimento global. A Conferência de Cancún vai discutir medidas a serem tomadas, incluindo a redução das emissões de CO2, o financiamento para o controle do clima e o futuro do Protocolo de Kyoto.

swissinfo.ch: Quais são atualmente os principais obstáculos na luta contra o aquecimento global?
Fortunat Joos:
Para responder aos problemas climáticos, é necessário reduzir drasticamente e imediatamente as emissões de combustíveis fósseis. Os políticos e as pessoas mostram pouco interesse em tomar a decisão de agir. Alguns dos mais importantes países nem se quer se comprometem ou se recusam a reconhecer o problema. Os lobbies são muito fortes em semear a confusão entre o público. Além disso, a dificuldade de mudar de hábitos é típico da natureza humana.

swissinfo.ch: A pesquisa sobre mudança climática é suficiente?
FJ:
Alguns fatos básicos são conhecidos há décadas ou mesmo séculos. Por outro lado, os sistemas terrestres são muito complexos. Há ainda muito a aprender sobre as interações e as reações do sistema climático, bem como o impacto da mudança na acidez dos oceanos causado pelas emissões de CO2. Há um ponto que interessa muita gente e ainda está longe de ser esclarecido, que é compreender quantitativamente e com precisão os efeitos das mudanças climáticas a nível regional e para cada indivíduo. Para isso, temos que continuar pesquisando ainda mais.

swissinfo.ch: Com o Programa Nacional de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas e dois institutos de pesquisa, a Suíça está suficientemente equipada para desempenhar um papel decisivo na pesquisa interdisciplinar?
FJ:
Tradicionalmente, a Suíça é um bastião de pesquisa nesta área. Nós colaboramos nos esforços internacionais e em novos projetos. Em termos da qualidade científica da Suíça, sei que temos um bom desempenho. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que nós também precisamos ser cautelosos. O Programa Nacional de Centros de Competência (PNR) "Clima - Variabilidade Climática Previsibilidade e Riscos Climáticos" terminará em 2013 e, infelizmente, não existem planos para o futuro. Isso é preocupante porque, apesar da existência do centro climático de Zurique e do Centro Oeschger aqui em Berna, precisamos também de coordenação nacional para avançar.

swissinfo.ch: O Senhor acha que o processo estabelecido pelas Nações Unidas, ajuda ou atrapalha a luta contra a mudança climática?
FJ:
As emissões devem ser reduzidas localmente em todos os lugares. Incentivos e regulamentação devem vir de diferentes níveis, tais como as comunidades, cantões ou Confederação. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima é um protocolo muito forte e eu acredito que ela define muito bem os objetivos e a direção a ser tomada. Este protocolo exige principalmente a estabilização dos níveis das emissões de gases de efeito estufa para combater os perigos da mudança climática. Sua implementação é atualmente difícil, mas a nível internacional não vejo outra maneira de proceder. Esse processo também deve ser apoiado em outros níveis.

swissinfo.ch: O Senhor acha que será possível chegar a um acordo?
F.J.:
Claro. Há sinais de que as coisas estão indo na direção certa e as pessoas estão percebendo que a luta contra as alterações climáticas é também uma oportunidade. Normalmente leva décadas para mudar a opinião pública e iniciar uma verdadeira mudança. O processo começou em 1980 e 1990 e vai demorar ainda mais.

swissinfo.ch: Será que temos tempo? A impressão é que temos de agir rapidamente ...
F.J.:
Sim, eu concordo. O sistema climático implica uma enorme inércia: hoje, quando emitimos um quilo de CO2, 200 gramas ficam suspensos na atmosfera durante mil anos. Por isso essa urgência em acelerar o passo. Temos que inverter esse processo, e rápido. Se não o fizermos e se continuarmos no ritmo atual, é provável que o aquecimento global aumente em vários graus até o final do século.

swissinfo.ch: O acordo sobre uma visão a longo prazo, a redução das emissões dos gases de efeito estufa, a adaptação ao aquecimento, o financiamento do controle do clima e o futuro do Protocolo de Kyoto ... o que o Senhor acha dos tópicos da agenda de Cancún?
FJ:
A nível internacional, temos acima de tudo que implementar medidas para reduzir as emissões de CO2 e de outros gazes causadores do efeito estufa e estabelecer metas mais rigorosas. É claro que é necessário compartilhar a mesma visão para alcançar esse objetivo a nível mundial. Também temos de encontrar financiamento para que os países menos desenvolvidos possam implementar essas medidas e ao mesmo tempo, temos também de encontrar formas de adaptação às alterações climáticas em curso. Eu realmente espero que as reduções das emissões serão implementadas a tempo. Pessoalmente, duvido que cheguemos a resultados concretos em Cancún, porque vários países preferem esperar até o último minuto para chegar a um acordo. Ora, o Protocolo de Kyoto expira em 2012.

swissinfo.ch: Como o Senhor responde aos céticos que relativizam a importância do aquecimento global?
FJ:
Nós perturbamos o sistema climático de maneira muito rápida e intensa. Isso não é invenção dos cientistas, mas o resultado do que foi medido. Temos dados que mostram que as concentrações de gases de efeito estufa estão aumentando, que o orçamento energético da atmosfera está mudando e que o planeta está se aquecendo. Centenas de milhares de medições nos permitiram saber o tempo gasto pela absorção química do CO2 pelos oceanos. A mudança climática é real e está aí.

(Por Jessica Dacey, swissinfo.ch, 19/11/2010)


desmatamento da amazônia (2116) emissões de gases-estufa (1872) emissões de co2 (1815) impactos mudança climática (1528) chuvas e inundações (1498) biocombustíveis (1416) direitos indígenas (1373) amazônia (1365) terras indígenas (1245) código florestal (1033) transgênicos (911) petrobras (908) desmatamento (906) cop/unfccc (891) etanol (891) hidrelétrica de belo monte (884) sustentabilidade (863) plano climático (836) mst (801) indústria do cigarro (752) extinção de espécies (740) hidrelétricas do rio madeira (727) celulose e papel (725) seca e estiagem (724) vazamento de petróleo (684) raposa serra do sol (683) gestão dos recursos hídricos (678) aracruz/vcp/fibria (678) silvicultura (675) impactos de hidrelétricas (673) gestão de resíduos (673) contaminação com agrotóxicos (627) educação e sustentabilidade (594) abastecimento de água (593) geração de energia (567) cvrd (563) tratamento de esgoto (561) passivos da mineração (555) política ambiental brasil (552) assentamentos reforma agrária (552) trabalho escravo (549) mata atlântica (537) biodiesel (527) conservação da biodiversidade (525) dengue (513) reservas brasileiras de petróleo (512) regularização fundiária (511) rio dos sinos (487) PAC (487) política ambiental dos eua (475) influenza gripe (472) incêndios florestais (471) plano diretor de porto alegre (466) conflito fundiário (452) cana-de-açúcar (451) agricultura familiar (447) transposição do são francisco (445) mercado de carbono (441) amianto (440) projeto orla do guaíba (436) sustentabilidade e capitalismo (429) eucalipto no pampa (427) emissões veiculares (422) zoneamento silvicultura (419) crueldade com animais (415) protocolo de kyoto (412) saúde pública (410) fontes alternativas (406) terremotos (406) agrotóxicos (398) demarcação de terras (394) segurança alimentar (388) exploração de petróleo (388) pesca industrial (388) danos ambientais (381) adaptação à mudança climática (379) passivos dos biocombustíveis (378) sacolas e embalagens plásticas (368) passivos de hidrelétricas (359) eucalipto (359)
- AmbienteJá desde 2001 -