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ambientalistas assassinatos
2009-12-22

“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.” - Martin Luther King

Como pessoas que escolhem se dedicar a aliviar o sofrimento e a dor alheios, incluídos aí não só a dor dos que nos são semelhantes, mas também dos que não são, como os animais, por exemplo, encontram forças para continuar lutando, para se manterem otimistas, para serem felizes, para não caírem em depressão, principalmente quando o que mais vêem como resultado desse esforço são mais derrotas que vitórias?

Numa sociedade que se elegeu como a espécie mais importante do Planeta, se auto-intitulou ‘dona’ da natureza e, em nome de seu desenvolvimento costuma justificar um comportamento utilitarista e sem limites em relação aos recursos naturais e às demais espécies, também consideradas como ‘recursos’. Por outro lado, uma sociedade que admite a exploração de um pelo outro e organizou-se de tal forma que uns poucos se beneficiam da riqueza e do poder enquanto a grande maioria sofre com fome, miséria, abandono. Então, onde ambientalistas e líderes comunitários encontram forças para continuar lutando quando outros já desistiram, e até mesmo quando a maioria está contra, ou diante de ameaças de morte?

O senso comum costuma pensar que para dar é preciso ter primeiro. Para amar, precisamos ser amados primeiro. Para fazer outros felizes, precisamos ser felizes primeiro. Para ajudar os outros a ter saúde, precisamos ser saudáveis primeiro. Em outras palavras, só serão capazes de se dedicar às lutas socioambientais pessoas ricas, saudáveis, amadas e felizes? Claro que não!

Em mais de duas décadas de militância convivi com parceiros e companheiros e companheiras de luta alguns idosos, outros portadores de doenças graves, ou desempregados, ou pobres, mas que sempre encontraram - e ainda encontram – dentro de si a força e a capacidade de continuar lutando por causas coletivas, como as ambientais. Sempre me intrigou o que move o espírito humano que faz as pessoas superarem condições existenciais injustas e mesmo a se superarem em capacidades e talento para se dedicar a lutas como estas?

O que faz pessoas comuns se transformarem em guerreiros incansáveis na luta pela defesa do meio ambiente, muitas vezes tirando energia da própria sobrevivência pessoal ou de sua família? O que faz essas pessoas mesmo ameaçadas de morte continuar lutando pelo direito de todos, a ponto de perderem a própria vida, assassinados, como Chico Mendes, Dionísio, no Tinguá (RJ), Paulo Vinhas, no Espírito Santo, e tantos outros mártires da causa ambiental no Brasil?

O que faz uma pessoa como o Francelmo atear fogo no próprio corpo, em praça pública, numa tentativa de proteger o Pantanal ameaçado por usineiros de álcool e outros projetos predatórios?  Francisco Anselmo Gomes de Barros imolou-se com fogo em 12/11/2005, aos 65 anos, em Campo Grande (MS), durante ato público contra a instalação de usinas de álcool na região do Pantanal. Era presidente da Fundação para Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul (Fuconams).

Também conheci outros heróis que tombaram nessa guerra pela defesa do meio ambiente. Em abril de 1993, em Vitória (ES) foi morto com quatro tiros o biólogo e ambientalista Paulo Vinhas, que lutava contra empresas que exploravam areia de forma desordenada na região de Barra do Jucu, em Vila Velha (ES), no mesmo dia em que a prefeitura flagrou os irmãos Queiroz retirando areia da área embargada, depois de denúncia do ambientalista. O empresário Aílton Barbosa Queiroz foi condenado a 16 anos de prisão, em Guarapari (ES) pelo crime.

Seu Edu, foi espancado até a morte nas ruas de Itaipuaçu, em Maricá (RJ), em 1993, por que combatia o roubo de areia nas praias da região. As denúncias feitas por Seu Edu acusavam a formação de uma cratera pela extração de areia da Praia de Itaipuaçu. Apontava também diversos loteamentos irregulares em áreas da Mata Atlântica. Até hoje sua morte não foi esclarecida.

Fernando, da ONG Univerde, de São Gonçalo, que fundei em 1982, foi apedrejado até a morte no Terminal Norte de Niterói, em 1998. Ele denunciava invasões de manguezais na Baía de Guanabara.

Álvaro Marques (RJ) assassinado aos 69 anos, em plena luz do dia, no centro Angra dos Reis, no dia 23/01/1999. Era presidente da SERENA – Sociedade Ecológica Para a Recuperação da Natureza e na ocasião estava denunciando agressões ao manguezal de Mambucaba.  

Fomos à Angra dos Reis (RJ), em companhia dos ambientalistas Rogério Rocco e André Luz (de barba) para colocar flores no local onde ocorreu o assassinato do Dr. Álvaro e pressionar as autoridades a localizarem e prenderem os assassinos, que segundo fomos informados, ainda estavam na cidade!

Dionísio Júlio Ribeiro (RJ) – Assassinado em 22/02/2005 em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por vingança de um caçador denunciado por ele. Era um defensor da Reserva Biológica do Tinguá.

Ao se colocarem na contramão de um modelo predatório de desenvolvimento, automaticamente se confrontaram com a ambição e a cobiça de pessoas e organizações que se sentirão prejudicadas em suas intenções de se apropriar dos recursos naturais ou de usar o meio ambiente como uma lixeira para seus restos. Ao escolheremos ser o que são e agir como agem, sabem que irão colher ônus e bônus por estas escolhas.

A resposta seria o amor? Seriam estas pessoas que amam demais, a ponto de entregarem seu talento, seu tempo e até mesmo sua vida pelo outro em sua acepção mais ampla, a ponto de incluir não só nosso semelhante, mas as plantas, os animais, o planeta inteiro? Existem pessoas incapazes de amar, de serem solidárias com o outro, que vêem apenas a si próprias e aos seus interesses? Creio que é no espírito humano que vamos encontrar as verdadeiras causas – e as soluções - para nossos problemas, pois a destruição e poluição ambiental são efeitos de um estilo de vida egoísta, ganancioso, indiferente com a dor e o sofrimento alheios.

(Por Vilmar Sidnei Demamam Berna, Portal do Meio Ambiente / Instituto SOS Rios do Brasil, 20/12/2009)


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