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2009-09-28

Em uma semana agitada nas negociações internacionais entre chefes de estado, o único avanço do G20 no combate as emissões de gases do efeito estufa será o corte progressivo, e apenas a médio prazo, dos subsídios aos combustíveis fósseis.

Os intensos manifestos em 135 países, discursos emocionados como o do presidente das Maldivas e da prêmio Nobel da Paz Wangari Maathai na ONU, não parecem ter causado grande impacto sobre os líderes das maiores economias do mundo que se encontraram em diferentes eventos realizados esta semana nos Estados Unidos.

Entre a Cúpula sobre Mudanças Climáticas na terça-feira (22/09) em Nova York e a reunião do G20 em Pittsburgh, que se encerra nesta sexta-feira (25), os raros sinais positivos ficaram por conta do discurso do presidente da China, Hu Jintao, na Assembléia Geral da ONU, na quarta-feira (24), dizendo que irá conter as emissões do seu país e o anúncio do G20 de que irá reduzir progressivamente os subsídios aos combustíveis fósseis, porém em uma ação a médio prazo e sem data para começar.

“Subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis incentivam as perdas de consumo, distorções do mercado, impedem investimentos em fontes de energia limpa e ameaçam os esforços de um acordo climático global”, afirma o comunicado final do G20, divulgado no final da tarde desta sexta-feira (25)

O documento diz que os ministros de Energia e Finança do G20 irão preparar cronogramas e estratégias para implementar a retirada progressiva dos subsídios e reportar aos líderes na próxima reunião, em junho de 2010. Além disso, pede a grandes instituições como a Agência Internacional de Energia e a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEC) analisem as políticas de subsídio e façam sugestões no próximo encontro da cúpula.

Diversos governos dos países do G20 subsidiam combustíveis como o carvão e petróleo para manter os preços artificialmente baixos para os consumidores, incentivando a demanda por hidrocarbonetos. A estimativa é de que o mundo gaste cerca de US$ 300 bilhões em tais subsídios anualmente. A proposta veio do governo dos Estados Unidos e, segundo o secretário do Tesouro do país, Timothy Geithner, recebeu grande apoio dos países do G20. “Nós achamos que isto terá um impacto dramático no nosso esforço coletivo para reduzir as emissões de carbono”, afirmou nesta quinta-feira (24) durante uma coletiva de imprensa.

Segundo Geithner, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês) sugere que se todos os países do mundo reduzirem a médio prazo este subsídio, isto reduziria em 10% as emissões de gases do efeito estufa em 2050. “Isto é um sinal (em termos econômicos) muito substancial em relação ao nosso objetivo, do Presidente, de reduzir as emissões em 50% os níveis de 2005 em 2050”, enfatizou.

Na carta, o G20 também se compromete em intensificar os esforços, em cooperação com outros países, para alcançar um acordo em Copenhague através das negociações da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas das Nações Unidas. "Um acordo deve incluir mitigação, adaptação, tecnologia e financiamento", afirmam.

Mecanismos de regulação do sistema financeiro ainda se mantêm como o principal foco da reunião do G20. Todavia, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, destacou que a crise atual não é apenas econômica, mas de valores da sociedade. “Os líderes mundiais devem responder demonstrando nosso comprometimento com uma economia mundial mais verde, ética, justa e balanceada”, afirmou.

Barroso disse que se a luta contra as mudanças climáticas não for vencida, o progresso econômico não servirá para nada. “Estamos a menos de 80 dias da Conferência Climática de Copenhague em dezembro e já é hora de falar sério. Estou preocupado com a falta de ambição nas negociações.”

Pedidos de ação
E foi justamente este o recado que milhares de pessoas que participaram de 2632 eventos da campanha “Hora de Acordar” quiseram dar aos líderes, na última segunda-feira (21). “Nós mostramos que podemos não somente enviar milhões de mensagens para líderes globais e doar milhões para causas importantes, como também inundar as ruas e congestionar telefones da Cidade do México até Mumbai”, afirma a ONG Avaaz, uma das promotoras do manifesto.

O movimento recebeu apoio também de representantes de governos, como o Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Carlos Minc, que assinou o abaixo assinado da campanha publicamente.

Na Cúpula de Mudanças Climáticas da ONU, Wangari Maathai clamou para que os chefes de Estado usassem seus poderes para reverter às mudanças do clima que já estão sendo sentidas, principalmente entre os mais pobres. “Em meu próprio país, Quênia, mais de dez milhões de pessoas correm o risco de inanição. Suas plantações estão morrendo, suas crianças tem fome, seus campos estão secos e seu gado está morrendo. Por quê? Isto se chama mudanças climáticas e só tem sido exacerbada pelo falta de preparo do Estado, não apenas no Quênia, mas em todo o mundo. E não nos digam que vocês não sabiam!”, declarou.

Wantari os desafiou, perguntando se iriam agir agora, se iriam se comprometer e se iriam aproveitar a oportunidade para fechar um acordo “justo, ambicioso e compulsório antes que seja tarde demais”.

O presidente das Ilhas Madivas, Mohammed Nasheed também fez um discurso emocionado destacando que o país está determinado em mudar velhos hábitos para alcançar a meta de se tornar carbono neutro em 2020. “Por favor, senhoras e senhores, nós não fizemos nada disso, mas se continuarmos (o mundo) com nosso ‘bussiness as usual’ não existiremos mais. Não podemos sair de Copenhague como perdedores. Não podemos fazer de Copenhague um pacto de suicídio. Temos que ter sucesso e ter um acordo em Copenhague”, disse Nasheed.

Na próxima segunda-feira (28), mais uma rodada de negociações de um novo acordo climático será iniciada pelas Nações Unidas, em Bancoc, na Tailândia. Em uma mensagem em vídeo divulgada nesta semana, o secretário-geral da Convenção Quadro de Mudanças do Clima da ONU, Yvo de Boer, disse que, apesar do pouco avanço obtido até agora, um mês pode ser tempo suficiente para Copenhague terminar com sucesso. “Um acordo forte para lidar com as mudanças climáticas deixará a humanidade em controle dos seus déficits, mas se perdermos esta oportunidade, o perderemos para sempre. Estamos muito perto de um acordo agora para falhar no último minuto.”

(Por Paula Scheidt, CarbonoBrasil, 25/09/2009)


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