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2009-08-19

A decepção provocada pelas negociações climáticas em Bonn é um sinal de que os países industrializados não estão dispostos a realizar contribuições substanciais para a redução de suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Nas conversações ocorridas na semana passada, essas nações não conseguiram atender as expectativas apresentadas em 2007 pelo Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), que funciona na órbita da Organização das Nações Unidas.

Em um informe apresentado em fevereiro desse ano, o IPCC exigiu reduções de até 40%, tendo 2020 como prazo. Se isso não for conseguido, a temperatura média da Terra aumentará mais de dois graus até 2050, alertou. Considera-se que dois graus são o máximo que o planeta pode tolerar para manter seu equilíbrio ecológico. Um aumento de temperatura acima desse índice causará catástrofes ambientais como secas severas, maior derretimento dos glaciais e aumento do nível do mar, além de ciclones e furacões mais fortes e mais freqüentes, segundo o IPCC.

As nações industrializadas lançam a maior parte dos gases estufa que contaminam a atmosfera e causam o aquecimento global, contribuindo para a mudança climática. Foram precisamente esses países que propuseram redução entre 16% e 24% até 2020, em relação aos níveis de 1990. As reduções totais oferecidas pelos países ricos representam muito menos do que as emissões geradas nos Estados Unidos, o maior contaminador mundial por pessoa e que não se comprometeu nem mesmo com essa meta.

“Se contarmos as emissões norte-americanas, as reduções propostas em Bonn pelas nações industrializadas caem entre 10% e 15%,”, disse à IPS Martin Kaiser, especialista em mudança climática que trabalha para o Greenpeace. “Se continuarmos neste ritmo, não conseguiremos”, afirmou, por sua vez, Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, organizadora da reunião que aconteceu entre 10 e 14 deste mês na cidade alemã. De Boer fez estas declarações em entrevista coletiva realizada após o fim das negociações, das quais participaram cerca de dois mil delegados de 192 países.

Espera-se que da 15ª Conferência das Partes da Convenção, de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, surja um acordo mundial vinculante para a redução de emissões, que suceda o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, em vigor desde 2005 e que expira em 2012. De Boer disse que agora restam apenas duas reuniões preparatórias para negociar algum acordo com destino à reunião na capital dinamarquesa. Essas conversações serão entre 28 de setembro e 9 de outubro em Bangcoc e de 2 a 6 de novembro em Barcelona. “Conseguir um acordo climático em Copenhague este ano é um requisito essencial para impedir que a mudança climática fuja ao controle”, ressaltou.

Oitenta dos países menos adiantados, entre eles vários pequenos Estados insulares, cobraram coletivamente que se reduzam em pelo menos 45% as emissões até 2020, em relação a 1990, para manter o aumento da temperatura mundial abaixo de 1,5 grau. Porém, há poucos sinais de que exista tal compromisso. “As nações ricas estão jogando pôquer com a mudança climática”, disse à IPS Stephen Byers, presidente da Organização Global de Legisladores para o Equilíbrio Ambiental (Globe).

Os países industrializados estão esperando até o final das negociações para que as economias emergentes assumam compromissos de redução de emissões, para só então revelar sua aposta, disse Byers. “Este é um jogo de apostadores, e isso é ruim”, ressaltou. Byers pediu urgência aos países industrializados para que “adotem um enfoque estratégico diante das negociações sobre mudança climática e se comprometam com reduções das emissões no médio prazo, em linha com a análise do IPCC e com um objetivo geral de limitar o aumento da temperatura mundial em dois graus”.

Byers também quer que essas nações “reconheçam a escala do apoio financeiro necessário, das economias industrializadas para as em desenvolvimento, garantindo a efetiva implementação dos diversos resultados da conferência de Copenhague”. A Globe considera que são necessários entre US$ 90 bilhões e US$ 140 bilhões para pagar tecnologias de mitigação e adaptação à mudança climática.

E propõe que se arrecade fundos de maneira previsível e sustentada “de acordo como princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada’, por exemplo, gravando os combustíveis usados nos transportes aéreo e marítimo. Delegados das novas economias emergentes, como Índia e China, acusaram os países ricos de tentarem jogar a carga das reduções nos ombros das nações pobres. “Ainda temos os mesmos problemas que impedem um acordo”, disse o representante climático da China,Yu Qingtai, em entrevista realizada em Bonn.

Na rodada anterior de negociações, entre 1º e 12 de junho, também nesta cidade da Alemanha, de Boer disse que restavam “nozes duras de quebrar”. E estas ainda persistem, e continuam igualmente duras.

(Por Julio Godoy, IPS / Envolverde, 18/08/2009)


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