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energia nuclear nos EUA usinas nucleares lixo radioativo
2009-07-01

As companhias proprietárias de quase metade dos reatores nucleares nos EUA não estão reservando dinheiro suficiente para desmantelá-los. E muitas usinas poderão permanecer ociosas durante décadas e, por isso mesmo, criarão riscos de segurança pessoal e física. Essas são conclusões de uma investigação da Associated Press. O déficit é resultado da oscilação na aceitação da energia nuclear, mas da oscilação do mercado acionário e de outros investimentos – que sofreram enormes prejuízos nos últimos 12 meses e produziram um efeito devastador sobre a poupança das empresas operadoras -, além da disparada nos custos de desativação.

No caso de 19 usinas nucleares, as empresas proprietárias foram autorizadas a deixar os reatores ociosos por até 60 anos, tempo possivelmente suficiente para permitir que os investimentos financeiros se recuperem e acabem por pagar a desativação das usinas e a remoção do material radioativo. Mas a paralisação temporária de reatores ou sua desativação inadequada cria o mais grave dos riscos. Lixo radioativo pode vazar de usinas abandonadas, contaminando água substerrânea, ou ser liberado na atmosfera, e bastões de combustível nuclear consumido poderiam ser roubados por terroristas.

Nos últimos dois anos, as estimativas de custos de desmantelamento dispararam em mais de US$ 4,6 bilhões, devido à alta nos custos de energia e de mão de obra, ao passo que os fundos de investimento que, supostamente, cobririam os custos de desativação das usinas perderam US$ 4,4 bilhões no combalido mercado acionário. As empresas geradoras de eletricidade também sofreram com as quedas de rentabilidade no mercado financeiro, que prejudicaram empresas e investidores privados. Críticos dizem que as companhias proprietárias de reatores não estavam poupando o suficiente mesmo antes do colapso financeiro, e que as agências reguladoras federais não impuseram ao setor metas suficientemente elevadas.

Na sexta-feira (19/06), a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA (NRC, na sigla em inglês) divulgou relatório no qual avalia o déficit de 18 das 104 usinas nucleares do país e pede às operadoras informação detalhada sobre como planejam resolver o problema. O déficit varia de US$ 12 milhões a US$ 204 milhões. O montante de dinheiro reservado para o desmantelamento das usinas diminuiu para quase quatro em cada cinco reatores, segundo análise da AP de documentação financeira encaminhada a cada dois anos à NRC. O governo poderá obrigar as operadoras de usinas a reservar mais dinheiro.

As companhias proprietárias de usinas dizem ter diversas maneiras de eliminar o déficit. Além de paralisar a operação das usinas, o governo pode simplesmente estender suas licenças de operação. E os investimentos financeiros poderão apresentar uma recuperação nos próximos anos. Representantes do setor dizem que uma taxa anual de retorno de 6% é uma meta razoável para o longo prazo. A maioria das usinas nucleares continuarão em operação por décadas, e assim serão capazes de recuperar seus investimentos perdidos, disse Steve Kerekes, porta-voz do Nuclear Energy Institute, entidade que reúne empresas do setor.

Os que criticam a energia nuclear dizem que esses planos não são suficientes. “Ninguém, na NRC, quer aceitar o que é totalmente evidente para nós, ou seja, que os recursos são inadequados”, disse Arnold Gundersen, engenheiro nuclear aposentado e especialista em desativação de usinas. Esses críticos dizem que o setor está assumindo, sobre seus investimentos, premissas que não levam em conta outro colapso do mercado, obstáculos políticos à renovação das licenças de operação e problemas imprevistos de segurança que poderão tornar a energia nuclear menos palatável.

Na semana retrasada, autoridades britânicas revelaram um vazamento ocorrido em 2007 num tanque de resfriamento na desativada usina nuclear Sizewell-A. Se o vazamento não tivesse sido rapidamente descoberto, disseram os técnicos, os bastões de combustível nuclear poderiam ter se incendiado e lançado rejeitos radioativos na atmosfera ao longo do litoral inglês, contaminando os operadores da usina ou a população.

A NRC avalia que o custo de desmantelamento de um reator nuclear varia hoje entre US$ 280 milhões e US$ 612 milhões, com média estimada em US$ 450 milhões. As empresas proprietárias de usinas tem em média cerca de US$ 300 milhões economizados para a tarefa. Usualmente, o dinheiro é obtido através de uma pequena sobretaxa aplicada às contas de consumo de eletricidade. Os registros da NRC revelam que as geradoras de eletricidade estão tentando eliminar os déficits.

Os proprietários de 19 usinas obtiveram aprovação para manter reatores ociosos durante até 60 anos. Um método denominado Safestor (sigla para “armazenamento seguro”) foi aprovado para alguns reatores, como as três unidades em Palo Verde, no deserto do Arizona, e o reator Three Mile Island 1, na Pensilvânia. Por esse método, o combustível radioativo é removido do reator e do tanque de armazenagem de combustível consumido e estocado em “dry casks” (contêineres de aço, concreto e chumbo) no terreno da própria usina. Toda água é removida dos sistemas e a radioatividade remanescente na usina vai decaindo até que a instalação seja desmantelada.

Mas alguns analistas temem que as empresas proprietárias de usinas nucleares talvez nem sequer existam daqui a seis décadas. “Tememos que elas simplesmente ´tirem o corpo fora´ do problema”, disse Jim Riccio, analista do Greenpeace para política nuclear. “É como uma bomba-relógio armada. A ideia de que você pode simplesmente abandonar essas instalações, e tudo vai ficar uma beleza não é verdade.”

As operadoras de 54 usinas nucleares, ou mais da metade das existentes nos EUA, já receberam autorização para funcionar por mais 20 anos. Outras 16 estão sendo analisadas, e a comissão prevê que receberá mais 21 pedidos nos próximos anos. Até hoje, a NRC não recusou nenhum pedido de ampliação da licença de operação. Embora as companhias peçam extensão por outras razões – fundamentalmente para continuar produzindo eletricidade e ganhar dinheiro – algumas companhias declararam explicitamente a seus acionistas que usarão a extensão da licença para cumprir suas obrigações de desativação.

Algumas usinas estão calculando que seus investimentos financeiros terão retorno anual de 6%. Embora isso coincida com importantes índices de mercado ao longo de décadas, a NRC concluiu que essas empresas perderam em média 13% nos últimos dois anos.

No Texas, regras estaduais balizam os investimentos das companhias de eletricidade, disse Ashley Monts, porta-voz da Luminant, proprietária de duas usinas nucleares nas proximidades de Glen Rose. Cinco anos antes da data prevista de fechamento de uma usina, disse Monts, a Luminant precisará dispor de 60% do valor. Dois anos e meio antes, o déficit precisará estar totalmente zerado. A Luminant tem cerca de US$ 385 milhões reservados para encerrar a atividade de suas duas usinas em 2030 e 2033. Dois anos atrás, tinha US$ 439 milhões. O custo da desativação dos reatores é US$ 824 milhões, quase US$ 90 milhões a mais que estimado antes.

Os operadores de usinas parecem se beneficiar das regras da NRC que não exigem que eles façam provisão financeira para armazenar combustível nuclear usado, demolir edificações ou reverter os locais das usinas a sua condição natural. Embora alguns Estados exijam recondicionamento total da área sede das usinas, não é essa a cobrança do governo federal.

O reator 1 de Callaway, nas proximidades de Fulton, Missouri, informou em março que poupança imposta pela NRC para a desativação deixaria a empresa com muito menos recurso que o necessário para cobrir o custo real de limpeza da área da usina. O comunicado começa com uma história similar à relatada por outras usinas. O custo para atender os requisitos federais mínimos para desativação cresceram de US$ 358 milhões para US$ 406 milhões em dois anos. E a poupança para custear as ações necessárias minguaram de US$ 268 milhões para US$ 236 milhões.

Mas um estudo detalhado dos custos para desativação de Callaway revelaram algo muito pior. A meta federal de poupança é cerca de US$ 288 milhões inferior ao que efetivamente custaria um desmantelamento e limpeza e armazenagem segura total do combustível nuclear usado.

O problema do descarte do lixo atômico tornou-se particularmente grave depois que o governo americano abandonou planos de armazenagem numa instalação segura nas montanhas Yucca, em Nevada. Em vez disso, o combustível radioativo é agora armazenadas em grandes cilindros de concreto e aço no terreno das próprias usinas, policiado 24 horas por dia e frequentemente controlados para a detecção de vazamentos.

A usina Vermont Yankee, no sudeste de Vermont, foi saudada como o futuro da geração de eletricidade para a região quando começou a funcionar, em 1972. Sua licença de operação deverá expirar em 2012, e seu fundo para desativação tem menos de metade do dinheiro considerado necessário. Em dezembro de 2007, o fundo acumulava US$ 416 milhões. Agora, tem cerca de US$ 384 milhões, nem perto dos estimados US$ 932 milhões que acabará custando o desmantelamento da usina.

A Entergy está pleiteando uma ampliação de 20 anos para a licença da Vermont Yankee e espera ter dinheiro suficiente no fundo para desativar a usina na década de 2030. Jay Thayer, vice-presidente de operações da usina, disse que se o fundo para cobertura da desativação continuar a apresentar um desempenho insatisfatório, a companhia poderá ter de solicitar permissão para manter a usina ociosa durante até 60 anos, nos termos do programa Safestor. Isso adiaria o desmantelamento para 2092.

(Por Dave Gram e Frank Bass, Associated Press / Valor Econômico / EcoDebate, 23/06/2009)


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