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frigoríficos/agroindústrias passivos da pecuária sensoriamento remoto
2009-06-16

Medida é parte de acordo entre governo e o setor de frigoríficos e supermercados

Eleita por ambientalistas como a atual inimiga número um da Amazônia, a pecuária é tema de um acordo que vem sendo negociado entre o Ministério da Agricultura e o setor produtivo há vários meses. O governo quer que frigoríficos e supermercados se comprometam a não mais comprar carne de fazendas que criam gado em áreas de desmatamento. A principal dificuldade seria rastrear bois de cada fazenda, para, a partir daí, identificar se eles estão pastando em áreas derrubadas para o plantio de capim.

O acordo passa pela assistência técnica da Embrapa Monitoramento por Satélite, que está desenvolvendo um sistema de mapeamento de todas as fazendas de gado do sul do Pará, área onde o projeto será iniciado. A Embrapa estima gastar R$ 5 milhões para implantar o sistema, mais R$ 1 milhão, todos os anos, para mantê-lo, sem contar os custos com pessoal.

— A região mais problemática é o Pará. Reservas extrativistas são desmatadas para criar gado, e a pecuária está se expandindo. O maior rebanho que pode estar ligado ao desmatamento está lá — diz o chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo Miranda.

Os frigoríficos serão os fiscais do acordo, cobrando de seus fornecedores o mapeamento das propriedades. O georrefenciamento das áreas caberá a cada fazendeiro, que terá de arcar com o serviço que custa, em média, R$ 20 por hectare. Com essas coordenadas, a Embrapa entra em cena, com as imagens registradas por dez satélites. As imagens serão atualizadas regularmente e, se o fazendeiro avançar seu pasto sobre a floresta, o movimento será registrado.

— O objetivo é implementar o desmatamento ilegal zero para essa área imediatamente. Esse pessoal todo vai se comprometer a não desmatar mais para a pecuária. O cara que desmatou não tem como esconder, ele estará desqualificado e vai deixar de vender — garantiu Miranda.

Enquanto a iniciativa não é posta em prática, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, critica o setor, com o qual não fechou acordo semelhante ao feito com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O último levantamento de um pacto com produtores de soja revelou que só 0,88% de 157.896 hectares mapeados foram desmatados para a plantação do grão na Amazônia.

— A pecuária está fora de controle — reclamou o ministro, na última quarta-feira.

O Ibama trabalha com uma lista de 69 compradores de carne acusados de fomentar o desmatamento na Amazônia. Outras 21 fazendas são apontadas como responsáveis pelo desmatamento ilegal de 157.168,91 hectares para a criação de bois. O Ministério Público cobra a indenização de R$ 2,1 bilhões por dano ambiental causado por elas. Entre as propriedades processadas, há nove do grupo Agropecuária Santa Bárbara, que tem o banqueiro Daniel Dantas como um dos donos.

O Greenpeace calcula que 80% da área desmatada na Amazônia sejam de responsabilidade dos criadores de gado. Recentemente, a ONG apresentou um relatório apontando que o BNDES financia frigoríficos que fazem parte da cadeia produtiva do desmatamento na região.

— Durante o regime militar, (o general Emílio Garrastazu) Médici fez a profecia de que a Amazônia seria colonizada pela pata do boi. Agora, Lula está cumprindo essa profecia. A indústria não pode mais comprar carne vinda de desmatamento. Acordo de papel não basta — diz Paulo Adário, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace.

(Por Catarina Alencastro, O Globo / Jornal da Ciência, 14/06/2009)


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