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ciclovias mobilidade urbana
2008-11-04

Ciclistas da capital mexicana, que pedalam nus uma vez por ano e organizam passeios pela cidade, venceram o receio de funcionários municipais e agora participam da criação de planos em favor deste meio de transporte. Desde setembro, e a cada 15 dias, representantes da organização não-governamental Bicitekas dividem uma mesa de diálogo para definir programas junto a delegados do governo municipal, da Universidade Nacional Autônoma do México (Unama) e do Instituto para o Desenvolvimento de Políticas para o Transporte, uma entidade internacional com sede nos Estados Unidos.

Seu objetivo é conquistar maiores e melhores espaços para o ciclismo em uma cidade com 10.200 quilômetros de vias e um parque automotivo de 3,5 milhões de veículos, aos quais se somam pelo menos 300 mil por ano. Segundo os planos em estudo, até 2018 as ciclovias, que agora ocupam 80 quilômetros, passarão para 600 quilômetros, potencializando o uso da bicicleta, hoje perigoso e limitado a apenas 0,7% das viagens feitas pela cidade. Trinta ciclistas morrem por ano em acidentes.

As ciclovias, cujo traçado em grande parte não coincide com o de avenidas e ruas, fazem parte de um plano para chegar a 2030 com uma cidade de caminhos especiais nas ruas, áreas onde seja difícil circular de automóvel e locais para alugar e deixar veículos não motorizados. “Por fim o governo municipal nos reconheceu. Nos ouve, após dez anos de ativismo e de nos considerar extremistas”, disse ao Terramérica Agustín Martinez, um dos fundadores da Bicitekas, em 1998.

Já montado em sua nova relação com as autoridades, Martinez comemorou o fato de o programa municipal dominical Mova-se em Bici, cópia de outro iniciado há três décadas em Bogotá, tenha recebido, no dia 29 de outubro, o prêmio Cidades Ativas, Cidades Saudáveis, patrocinado pela Organização Pan-Americana de Saúde. “O Mova-se em Bici é uma motivação para os cidadãos”, mas o importante é provocar uma mudança de cultura, para que a bicicleta se transforme em elemento central dos novos esquemas de transporte da cidade: limpo, rápido e desfrutável, disse o ativista.

Xavier Treviño, subdiretor no México do Instituto para o Desenvolvimento de Políticas para o Transporte, também felicitou o município pelo prêmio e concordou com Martinez em que o Mova-se em Bici é um dos elementos de uma estratégia em construção, que “começou tarde e avança devagar”. O programa premiado consiste no fechamento de aproximadamente dez quilômetros de vias centrais ao trânsito de carros aos domingos, dando lugar a ciclistas, patinadores e pedestres. Uma vez por mês esse fechamento é ampliado para 30 quilômetros. A cidade do México apostou ir além para armar um processo de longo alcance entre a autoridade e a sociedade organizada. “Somente assim terá garantias para o futuro”, disse Treviño ao Terramérica. “Pode-se pensar que os programas estão atrasados, e é verdade, mas se deve ao diálogo iniciado. É melhor avançar lento, mas de forma segura”, acrescentou.

Em dezembro passado, as autoridades anunciaram que este ano começariam a construir 60 quilômetros de ciclovias. Mas até agora nada foi feito. As autoridades disseram que, em mais dez anos, 5% das viagens pela cidade serão de bicicleta. Isso evitará a emissão anual de 2,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono, cinco mil toneladas de óxido de nitrogênio, 80 mil toneladas de monóxido de carbono e cem toneladas de partículas suspensas, afirmam os funcionários.

Os contatos entre o Instituto para o Desenvolvimento de Políticas para o Transporte, a Bicitekas, a Unam e o governo da capital começaram há vários meses. Durante a gestão do chefe de governo Marcelo Ebrard, iniciada em dezembro de 2006, foram aplicadas algumas medidas favoráveis aos ciclistas, com permitir o transporte de bicicletas em ônibus e no metrô. Treviño informou que em dezembro começarão a ser traçados caminhos especiais para bicicletas, em um trecho da central avenida Reforma, de 14,9 quilômetros, e serão feitas campanhas pelo uso da bicicleta.

Os ativistas da Bicitekas incentivarão os planos oficiais não apenas participando da mesa de trabalho, mas organizando seus tradicionais passeios: às quintas-feiras o Lobos-Bike, às sextas-feiras Lunáticos Ciclistas, aos sábados Biciellas e aos domingos Biciraptors, Biciperros e o Passeio do Gato. Além disso, continuarão pedalando nus uma vez por ano em adesão à Marcha Ciclística Mundial de Nudismo, que acontece em várias cidades todo mês de junho para chamar a atenção para o uso da bicicleta.

(Por Diego Cevalos*, Terramérica, Envolverde, 03/11/2008)
* O autor é correspondente da IPS


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