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extinção de espécies comércio ilegal de animais desmatamento
2008-09-24

A espécie mais próxima dos seres humanos, os macacos, símios e outros primatas, estão desaparecendo sobre a face da Terra, alguns deles em grave processo de extinção. A primeira revisão exaustiva em cinco anos sobre o estado das 634 variedades de primatas encontrou que cerca dos 50 por cento estão em perigo de extinção, com base nos critérios constantes da Lista Vermelha de Espécies em Perigo da União Internacional para a Conservação da Natureza (International Union for Conservation of Nature - IUCN).

Publicado durante o XXII Congresso da Sociedade Internacional de Primatologia (IPS), celebrado entre 3 e 8 de Agosto (2008) em Edimburgo, Reino Unido, o informe, desenvolvido por verdadeiras autoridades mundiais no tema, apresenta uma conclusão apavorante sobre o estado dos primatas em todos os lugares do mundo. Na Ásia, mais de 70% dos primatas foram classificados dentro da Lista Vermelha da IUCN como “Vulneráveis”, “Em Perigo”, ou “Em Perigo Crítico”, o que significa que poderiam desaparecer para sempre num futuro próximo.

As maiores ameaças são a destruição dos hábitats, particularmente a queima e o desflorestamento das florestas tropicais (as quais emitem pelo menos 20 por cento dos Gases de Efeito Estufa (GEE), responsáveis pelas mudanças climáticas), pela caçada dos primatas com fins alimentícios e, também, pelo comércio ilegal de espécies selvagens.

“Ao longo dos últimos anos temos comunicado a nossa preocupação sobre o desaparecimento dos primatas; agora, porém, temos dados sólidos que revelam que a situação é muito mais crítica do que nós tínhamos imaginado. A destruição das florestas tropicais tem sido sempre a primeira causa, mas agora, em algumas áreas, parece que as caçadas são uma ameaça tão séria quanto, inclusive quando o hábitat está intato. Em muitos lugares, os primatas estão sendo literalmente devorados pela extinção”, disse Russell A. Mittermeier, presidente do Grupo de Especialistas em Primatas da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN e presidente da Conservação Internacional (CI).

A revisão, que foi financiada pela CI, pela Fundação Margot Marsh Biodiversity, pela Animal Kingdom da Disney e pela IUCN, é parte de um estúdio sem precedentes sobre o estado dos mamíferos que será apresentado no Congresso Mundial da Natureza de IUCN que acontecerá o próximo mês de Outubro em Barcelona.

Elaborado graças à contribuição de centenas de expertos reconhecidos mundialmente, esta revisão sobre o estado dos primatas, oferece uma informação científica que revela as ameaças às quais estão expostos e que se enfrentam estes incríveis animais que compartilham virtualmente todo seu DNA com os humanos.

Tanto no Vietnã quanto no Camboja, aproximadamente 90% das espécies de primatas estão considerados. em risco de extinção. As populações de gibões, macacos, langures e outras espécies, têm diminuído por causa da perda desenfreada dos seus hábitats, exacerbada pelas práticas da caça de subsistência e do comércio de exemplares da vida selvagem para produtos de medicina tradicional chinesa ou mascotes de estimação.

“O que está acontecendo no Sudeste Asiático é apavorante. O fato de um grupo de animais estar com esse nível de ameaça tão alto é francamente incompreensível, mais ainda já que não há sequer um parâmetro de comparação com qualquer outro grupo de espécies documentado até os nossos dias”, disse Jean-Christophe Vié, sub-diretor do Programa de Espécies da IUCN. “Dentro das espécies africanas, os grandes primatas, como os gorilas e bonobos, sempre chamaram muito a atenção e, apesar de estarem altamente ameaçados, são os primatas pequenos, como o cólobo-vermelho, os que podem morrer primeiro”, disse Richard Wrangham, Presidente da IPS.

Em diversos lugares do mundo, uma significativa variedade de espécies, desde os pequenos lêmures até os gorilas-das-montanhas, enfrentam desafios diários para a sua sobrevivência.

Na África, 11 das 13 classes de macacos cólobos vermelhos, foram listados na categoria “Em Perigo Crítico” ou “Em Perigo”. Duas destas espécies já podem estar extintas: o cólobo-vermelho-de-Bouvier (Procolobus pennantii bouvieri) que não é visto há pelo menos 25 anos, e o cólobo-vermelho-de-Miss-Waldron (Procolobus badius waldroni) o qual nenhum primatólogo constatou ter visto nem ao menos um exemplar vivo desde 1978, pese aos ocasionais informações de que alguns deles tenham sobrevivido.

Por serem os nossos parentes mais próximos, os primatas são importantes para a saúde dos ecossistemas nos quais habitam. Através da dispersão de sementes e outras interações com seus ambientes, os primatas ajudam ‘a vida animal e vegetal das florestas tropicais do mundo. Florestas saudáveis provêem de recursos vitais às populações humanas, e podem absorver e estocar o dióxido de carbono responsável pelas mudanças climáticas.

Entretanto, os cientistas continuam aprendendo mais sobre os primatas e sobre seu papel no mundo. Desde o ano 2000, foram descritas 53 espécies de primatas ainda desconhecidas para a ciência. Delas, 40 foram descobertas na Ilha de Madagascar, duas no continente africano, três no asiático e 8 na América Central e do Sul.

No ano 2007, investigadores encontraram uma população de lêmur-grande-de-bambu (Prolemur simus) num pantanal a 400 quilômetros do lugar onde geralmente vive esta espécie. Em total, se encontram 140 indivíduos nesse seu hábitat natural e foram classificados “Em Perigo Crítico”.

Mesmo nesse panorama nada alentador, os conservacionistas assinalam um notável sucesso na recuperação de certas espécies. No Brasil, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) foi rebaixado da categoria “Em Perigo Crítico” para a de “Em Perigo”, no mesmo nível que o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), fato que aconteceu no ano 2003, como resultado de três décadas de esforços de conservação envolvendo diversas organizações.

As populações de ambos animais agora estão muito bem protegidas, mas continuam sendo pequenas, gerando a urgente necessidade de implementar ações de reflorestamento e de lhes facilitar novos hábitats para a sua sobrevivência em longo prazo. “Se houver florestas, os primatas poderão ser salvos” disse o cientista Anthony Rylands, sub-diretor do Grupo de Especialistas em Primatas da União Internacional para a Conservação da Natureza.

“O trabalho com o mico-leão-dourado demonstra que a conservação de fragmentos de florestas e o reflorestamento criando corredores que os interconectem, não é somente vital para os primatas, mas também oferece múltiples benefícios para manter os ecossistemas saudáveis e o fornecimento de água, sendo possível, ao mesmo tempo reduzir as emissões de gases de Efeito Estufa”.

Os pesquisadores também reclassificaram o gorila-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) de “Em Perigo Crítico” para “Em Perigo” por causa do aumento do número de sua população no seu único hábitat: as selvas protegidas nas montanhas de Ruanda, Uganda e da República Democrática do Congo. Porém, o massacre de oito gorilas no ano passado e a convulsionada situação política na região, provocou uma demora na reclassificação dessa espécie.

A lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza estabelece uma série de critérios para que uma espécie seja categorizada “Em Perigo”. Nos casos em que não se têm as informações básicas, as espécies são listadas como “Dados Insuficientes”; na nova revisão esta categoria se aplica a quase 15% dos primatas. A expectativa é de que muitas destas espécies, particularmente as que foram descobertas recentemente, sejam classificadas como “Em Perigo”.

(Por Sarah Halls*, Eco21, 22/09/2008)
*Jornalista da International Union for Conservation of Nature - IUCN


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