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2008-09-01

O Ambiente JÁ publica a partir de hoje entrevistas com os candidatos a prefeito de Porto Alegre. Na primeira delas, a deputada federal pelo PSOL, Luciana Genro (Coalisão PSOL- Partido Verde) explica como será sua atuação em algumas das principais questões ambientais da cidade.

Luciana diz, por exemplo, que o projeto Pontal do Estaleiro na orla do Lago Guaíba altera radicalmente o local, uma área de preservação permanente. E que, se eleita, irá conter a especulação imobiliária, além de vetar projetos que visem a construção de espigões “onde só quem tem dinheiro para comprar um apartamento poderá usufruir do lago”. Confira a entrevista abaixo.

Ambiente JÁ - Na sua gestão, como será feito o gerenciamento de resíduos?
Luciana Genro -
Queremos priorizar a recuperação e a preservação do meio ambiente como instrumento para a melhoria da qualidade de vida da população, inclusive com a adoção de políticas públicas unificadas e definitivas sobre a questão dos resíduos. Atualmente, cerca de 700 trabalhadores vivem da reciclagem do lixo seco. Na coleta, há carroceiros, carrinheiros e catadores, que estão ameaçados pela lei aprovada na Câmara de Vereadores, sem nenhuma garantia de alternativa de trabalho. Na nossa visão, os trabalhadores que vivem da coleta e da reciclagem dos resíduos sólidos não são problema, e sim solução, a questão é garantir melhores condições de trabalho para eles. Além da reciclagem de materiais sólidos, vamos incentivar a população a entregar o óleo de cozinha usado nos pontos de recolhimento. Poucas pessoas sabem que ele pode ser transformado em biodiesel, poupando a natureza e gerando recursos para a Prefeitura através de uma usina pública de biodiesel.

Ambiente JÁ - Como fará para integrar o Lago Guaíba com a cidade?
Luciana Genro -
A orla do Guaíba é área de preservação permanente e não pode abrigar imóveis ou atividades que contribuam para descaracterizar ou prejudicar seus atributos e funções essenciais. Além disso, está configurada, e entendemos que assim deve permanecer, como Área Especial de Interesse Cultural, pois é um patrimônio natural, paisagístico e histórico da comunidade porto-alegrense. Portanto, qualquer projeto para a orla deve contemplar toda a população. Vamos conter a especulação imobiliária nessa área e vetar projetos que visem a construção de altíssimos prédios, onde só quem tem dinheiro para comprar um apartamento poderá usufruir do lago. Queremos recuperar,urbanizar e revitalizar a orla do Guaíba e o Cais do Porto para a utilização como áreas de cultura, turismo e lazer, sem a construção de verdadeiros paredões de concreto, que apenas separariam mais a cidade do seu lago.

Ambiente JÁ - O que a senhora pensa ou conhece sobre o projeto Pontal do Estaleiro?
Luciana Genro -
O projeto altera radicalmente a orla do Guaíba e, o pior, sem que tenha sido apresentado o respectivo Estudo de Impacto Ambiental. Se em qualquer outro local a exigência de tais estudos para empreendimentos de impacto é rotineira, nesse caso tal exigência deve ser considerada requisito essencial para o exame de qualquer projeto de lei que trate da urbanização da nossa orla. Como disse na questão anterior, a orla é um bem público e não pode ser aproveitada apenas por alguns poucos afortunados.

Ambiente JÁ - Em relação ao saneamento básico, o que é necessário fazer para garantir mais qualidade de vida à população?
Luciana Genro -
É preciso executar um programa de saneamento básico e tratamento de esgoto na cidade com o reaproveitamento da água servida e da água da chuva. Queremos ainda despoluir o Arroio Dilúvio, com a retomada do Programa
Socioambiental, dando continuidade à construção das linhas de esgoto da Avenida
Ipiranga e conectá-las ao sistema.

Ambiente JÁ - O aumento de carros na cidade afeta diretamente o aquecimento global. O que fará para estimular alternativas de transporte?
Luciana Genro -
Transporte coletivo é um tema de fundamental importância para Porto Alegre. Ainda não chegamos ao caos que vive São Paulo, mas é por esse caminho que iremos se medidas não forem tomadas para melhorar o transporte coletivo e desestimular o uso de carros particulares. O metrô é uma necessidade e vamos cobrar os recursos do governo federal. Além de ônibus e metrô, queremos conter a poluição do ar através da oferta de transportes alternativos, como aeromóvel, balsa e bicicleta. Vamos construir ciclovias seguras e de verdade. Também é preciso criar mecanismos de controle da poluição centrados na fiscalização e no controle dos veículos poluidores que trafegam pela cidade.

Ambiente JÁ - Como irá incentivar práticas ecologicamente corretas nos empreendimentos urbanos?
Luciana Genro -
Vamos dar descontos no IPTU para imóveis que tenham práticas corretas, como uso da energia solar e reaproveitamento da água da chuva.

Ambiente JÁ - O que você entende por uma Porto Alegre Sustentável?
Luciana Genro -
O desenvolvimento com preservação ambiental talvez seja um dos maiores desafios que temos pela frente. Nosso programa busca avançar no sentido de investir na riqueza da produção, e não apenas na produção de riqueza. Nesse sentido, teremos iniciativas como ampliação, valorização, incremento e aproveitamento dos resíduos produzidos pela cidade na confecção de energia, combustível, matérias-primas recicladas. Há muita riqueza nessa produção que hoje é desperdiçada. Além disso, Porto Alegre é uma das poucas metrópoles que conseguia manter um equilíbrio extremamente positivo entre uma área rural produtora de alimentos e uma área urbanizada produtora de serviços e produtos, que deve ser estimulado. O município deve ser um ente ativo no fomento de atividades econômicas e um facilitador na solução dos problemas econômicos da cidade.

Ambiente JÁ - Como a senhora vê a questão dos índios que vivem em Porto Alegre, especialmente os que ocupam o Morro do Osso?
Luciana Genro -
Como disse, Porto Alegre conseguia manter um certo equilíbrio entre as áreas rural e urbana, o que vem diminuindo nos últimos anos e tem impacto inclusive nas comunidades indígenas que vivem na cidade. A instalação de residências na região do Morro do Osso deve ser contida, pois essa é uma área indígena e de preservação ambiental.

Biografia da candidata
Luciana Krebs Genro, 37 anos, nasceu em Santa Maria em 17 de janeiro de 1971. É a primogênita da médica Sandra Krebs Genro e do advogado Tarso Genro, atual ministro da Justiça e ex-prefeito da capital gaúcha. Professora de inglês, a atual deputada federal tem uma irmã, Vanessa, médica. Casada há 14 anos com Sérgio, jornalista, Luciana é mãe de Fernando, 20 anos, jogador de futebol.

Em 1994, foi eleita deputada estadual com 17 mil votos pelo PT, sendo reeleita em 1998 com o dobro dos votos, 36 mil ao total. Em 2002 disputou a cadeira de deputada federal, obtendo 100 mil votos, quase três vezes mais do que a votação anterior. Foi expulsa do PT por discordâncias com o governo Lula em 2003. Em 2006, foi eleita a deputada federal mais votada em Porto Alegre, com mais de 185 mil votos.

Página da candidata na internet pode ser acessada aqui.

Amanhã, entrevista com a candidata da Coalisão Porto Alegre é Mais (PCdoB/PPS/PSB/PR/PMN/PTdoB/PTN), Manuela D´Avila.

(Por Carlos Matsubara, Ambiente JÁ, 01/09/2008)


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