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passivos dos biocombustíveis cana-de-açúcar
2008-07-01
Você sabe por que ocorre a queima da cana-de-açúcar? Foi com uma pergunta que a ambientalista, engenheira química e doutora em química, Sônia Corina Hess, de 46 anos, respondeu a primeira questão feita pelo Midiamax. Para falar sobre o fim dos limites das usinas em território sul-mato-grossense, prestes a se transformar num grande canavial, segundo o prognóstico da pesquisadora, ela recebeu a equipe no laboratório, um ambiente acadêmico cheio de cores, quadros, livros no CCET (Cento de Ciências Exatas e Tecnológicas) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

No País, 10% do território brasileiro utilizado para a agricultura foram substituídos pela atividade canavieira, ou seja, são 7 milhões de hectares e a previsão do governo é de que até 2020 a área de produção dobre. A toque de caixa, Mato Grosso do Sul tenta ampliar as áreas de usinas de álcool, o que deixam os ambientalistas em alerta.

Leia a entrevista na íntegra:

Midiamax – Professora qual é a pesquisa mais recente sobre as carvoarias?

Sônia Hess – Você sabe por que ocorre a queima da cana-de-açúcar? Então, a pesquisa eu não queria já falar, mas é o seguinte, a queima da cana acontece porque ela machuca o trabalhador no corte e é feita para facilitar o acesso do cortador. Além de repercutir problemas de saúde, toda a comunidade adoece porque a poluição é intensa. Só que a palha é biocombustível. Estamos a procura de um inventor de uma máquina portátil, como se fosse um cortador de gramas.

Midiamax – Quem seriam esses inventores?

Sônia Hess – Estamos conversando com a indústria dos fabricantes. Com a invenção, uma equipe passaria primeiro no canavial antes dos cortadores virem atrás. Com isso, não ocorre a queima. Porque se a atividade mecanizar rápido, dá o desemprego. O importante é ocorrer a inovação tecnológica que leve a mudar as relações de trabalho.

Midiamax – De que forma?

Sônia Hess – A relação de trabalho ainda é muito frágil nas usinas. Os trabalhadores são contratados pelos chamados “gatos” e ficam sujeitos a situações degradantes. Se os cortadores se machucam, ninguém assume o ônus. Imagina um migrante do Nordeste, do Maranhão aqui nessas condições? Vira indigente. E o que está acontecendo nas usinas é que os trabalhadores estão baixando o valor da mecanização pelo medo da competição com a máquina. A situação acaba com a saúde. A fumaça, excesso de esforço, calor e risco de morte. Em minha opinião, deveria ser um contrato com a empresa como qualquer outra profissão. Hoje, que não corta 12 toneladas por dia está fora.

Midiamax – Como a senhora analisa a aprovação do projeto de lei do líder governista na Assembléia Legislativa, Youssif Domingos (PMDB) que prevê o fim dos limites de 25 quilômetros entre uma usina e outra?

Sônia Hess – Temos que entender que existe um mercado e incentivos para que ocorra rápida a produção do álcool por causa da política internacional do preço do petróleo que é alto. O governo federal não impôs ainda o controle sobre o planejamento disso, onde pode, onde deve e onde vai ter incentivo.

Midiamax - Quais são os riscos?

Sônia Hess – Hoje as plantações de cana estão indo até as pastagens degradas como também nas áreas de solos férteis onde tradicionalmente se produzia o alimento. A usina é um empreendimento permanente, a usina não se muda porque uma vez instalada são milhões de dólares investidos e não se volta atrás. Toda essa terra fértil investida em cana será que não vai faltar alimentos?

Midiamax – A região do Vale do Ivinhema está prestes a se tornar um canavial...

Sônia Hess – Assim como tudo. Estamos vivendo um momento grave, crítico e as lideranças não percebem, agem como se fosse os anos 60. Vejo uma falta de preparo para enfrentar uma situação que eu prevejo grandes tragédias. Antes, quem se levantava eram os leigos, hoje quem está em pânico são os cientistas. As mudanças climáticas e suas repercussões e a produção dos alimentos. O desafio é muito maior do que o sistema público possa enfrentar, não com essa mentalidade que temos hoje. Um total despreparo dos líderes.

Midiamax – Por que os líderes não conseguem enxergar isso? É o interesse econômico?

Sônia Hess – É bem maior que isso. Não é um problema específico da cana e sim de planejamento e seriedade. Um exemplo das conseqüências: antes no Jornal Nacional era uma notícia sobre pequenos desastres ambientais a cada duas semanas, hoje são vários diariamente. Será que isso não indica nada? Será que quando o sistema romper a sociedade entrará em risco? Não vejo a conscientização dos líderes brasileiros. São 350 mil crianças nascendo todos os dias, 150 mil morrem por dia, ou seja, são 200 mil novos bebês todos os dias no mundo e a maioria filhos de famílias miseráveis. Vemos os conflitos sangrentos na África, Haiti e a Europa aprovando leis para impedir a imigração. Qual a resposta dos líderes para isso? E a sociedade vivendo esse momento de imbecilidade. A plástica, sexo, drogas e rock´n roll são o que move as elites. Ninguém sabe dos riscos iminentes que estamos correndo. A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê em períodos curtos os flagelados do clima. Na Ásia, o Himalaia está derretendo e não percebem o risco. Vivemos um momento de imbecilidade, o povo não tem noção do que está acontecendo e poucos percebem o quão grave é a situação e que devemos agir para a soberania do Brasil. Como diz o Al Gore, já passou o período da leveza e agora, é período das conseqüências.

(Midiamaxnews - MS, FGV, 30/06/2008)


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