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arvores transgênicas
2008-06-19
Até 2012, o norte do Estado, que já está coberto por eucalipto, será tomado também por plantios transgênicos da espécie. A previsão é baseada nos dados da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), divulgados no jornal O Globo desta quarta-feira (18). Em três anos, já poderão ser liberados os primeiros pedidos de liberação para a atividade.

O ritmo das pesquisas está acelerado, aponta o jornal. As modificações genéticas visam alterar a qualidade da madeira, reduzindo o teor de lignina, substância que funciona como uma espécie de cola entre as fibras vegetais e tem que ser removida para a obtenção da celulose. Além disso, estas árvores cresceriam em tempo recorde.

Mas representantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) alertam: "os transgênicos representam um perigo ambiental e social".

Segundo eles, os impactos ambientais vão desde o aceleramento da exaustão da terra, pela absorção de minerais e água, entre outros elementos, pela planta, até a contaminação de espécies nativas. Com os plantios em tempo mais curto, mais agricultores podem deixar os plantios de alimentos trocando pela eucaliptocultura. As árvores transgênicas ameaçam as espécies nativas, alertam.

No Estado o uso de eucalipto transgênico será assumido, principalmente, pela empresa Aracruz Celulose, que segundo o MPA, já realiza pesquisas com eucaliptos transgênicos no Espírito Santo.

Para que a Aracruz plante eucalipto transgênico, ela terá que seguir as regras da CNTBio como: que os plantios "experimentais", tenham um cinturão de mil metros de árvores não-transgênicas envolvendo as plantações geneticamente modificadas. E, onde houver apiários, que os plantios de eucaliptos transgênicos estejam no mínimo a três quilômetros de distância deles.

Ao todo, a CTNBio analisa 24 solicitações de avaliação de eucaliptos transgênicos. A Companhia Suzano de Papel e Celulose, por exemplo, quer liberar os o eucalipto geneticamente modificado "no meio ambiente", para experimentos de eucalipto (da ArborGen Tecnologia Florestal Ltda e International Paper do Brasil Ltda), até o "plantio controlado de eucalipto transformado geneticamente" (Alellyx Applied Genomics).

O Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (WRM, na sigla em inglês) lembra que há resistência aos transgênicos de organizações ligadas à Rede Latino-americana contra as Monoculturas de Árvores (Recoma). A Recoma encaminhou aos governos do Brasil e do Chile e Brasil uma carta aberta demostrando preocupações com os eucaliptos transgênicos.

Uma delas é pelo "fato de que a manipulação genética em andamento visa consolidar e espalhar um modelo de monoculturas de árvores que já demonstrou acarretar graves impactos sociais e ambientais".

E que "o uso de árvores transgênicas agravaria ainda mais os impactos já constatados sobre a água, já que uma das características que pretende-se introduzir é o crescimento mais rápido, o que significaria um maior uso de água por parte das plantações".

De acordo com a WRM, é necessário que o governo brasileiro adote "enfoques de precaução ao tratar a questão das árvores geneticamente modificadas" e determinem "a suspensão das pesquisas em andamento, até as dúvidas sobre os possíveis impactos, manifestadas na fundamentação da COP8 desaparecerem".

        
Conheça a mensagem divulgada em maio pela WRM

Carta aberta para os membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB)

Maio de 2008

Prezados Senhores,

Os que subscrevem queremos informar-lhes de nossa preocupação a respeito dos impactos das monoculturas de árvores em grande escala sobre a biodiversidade do planeta, aos que se acrescenta a mais recente ameaça das pesquisas que estão sendo realizadas em muitos países sobre árvores transgênicas. Portanto, queremos realizar um chamamento para que sejam adotadas medidas concretas nesse sentido durante a Nona Conferência das Partes da CDB em Bonn.

Em primeiro lugar, queremos salientar que, apesar de que as monoculturas de árvores em grande escala resultam em sérios impactos sociais e ambientais -e em particular sobre a biodiversidade em áreas de florestas- oficialmente continuam sendo definidas como "florestas" e sendo incluídas como sinônimo de "cobertura florestal". Portanto é imperioso que a CDB -como órgão especializado na conservação da biodiversidade- realize uma clara diferenciação entre florestas e monoculturas de árvores e que adote uma definição de florestas que exclua as monoculturas de árvores como tais.

Ao mesmo tempo, a CDB deveria fazer esforços para que sejam distinguidos às claras os benefícios sociais e ambientais decorrentes das árvores e que se reconheçam os prejuízos que as monoculturas de árvores implicam para as comunidades locais e a biodiversidade do
planeta.

A CDB também deveria reconhecer os sérios impactos das monoculturas em grande escala destinadas à produção de agrocombustíveis sobre a biodiversidade e colocar limites à sua expansão. Também deveria declarar uma moratória imediata a todo apoio político, técnico e financeiro para sua produção. Nesse item se incluem tanto monoculturas para a produção de biodiesel (dendezeiro, soja, girassol, jatrofa, etc.) bem como para a obtenção de etanol (choupos, salgueiros, eucaliptos, cana-de-açúcar, milho, etc.) e outros combustíveis a partir de biomassa. Também deverá reconhecer o aumento do uso de agroquímicos e seu impacto na saúde das pessoas e o ambiente.

Além disso, a CDB deve proibir a liberação de árvores geneticamente modificadas -incluindo os testes de campo- que não apenas implicariam a consolidação do modelo de destruição da biodiversidade decorrente das monoculturas de árvores, mas que aumentariam seus impactos e acrescentariam novas ameaças para a biodiversidade. O uso das árvores transgênicas agravaria ainda mais os impactos já constatados sobre a biodiversidade, a água, a terra, as florestas e as comunidades que dependem delas e poderiam desenvolver catástrofes ecológicas em nível das cadeias tróficas das florestas.

O uso de tecnologias perigosas como as "terminator", apresentadas como uma solução perante a possível contaminação genética das florestas resultariam no agravamento do problema, podendo resultar na desaparição de numerosas espécies associadas à floração e frutificação das árvores.

Em resumo, solicitamos que os membros da CBD adotem medidas que assegurem que:

- As monoculturas de árvores sejam excluídas da definição de florestas
- Seja suprimido qualquer tipo de apoio político, técnico e financeiro às monoculturas para agrocombustíveis devido a seu impacto direto na biodiversidade e na soberania alimentar.
- Seja proibida a liberação das árvores transgênicas e o uso da tecnologia "terminator".

(Por Flávia Bernardes, Século Diário, 18/06/2008)

 

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