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consumismo ipcc inpe
2008-05-05
Para o cientista Carlos Nobre, em tempos mudanças climáticas, o caminho é adaptar-se, deixando para trás o modelo consumista

As mudanças climáticas ascenderam ao topo das preocupações da humanidade, superando temas como a fome, a corrupção, as guerras e a violência. Isso porque a fome, por exemplo, pode aumentar com as alterações do clima, que são inequívocas. E os países tropicais, na maioria pobres, sofrerão fortemente as conseqüências.

Carlos Nobre, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) e membro de um dos Grupos de Trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) não exita em alertar: enquanto corporações empresariais continuam a estimular o consumo e um grupo de céticos ainda insiste em classificar o aquecimento global como histeria, a classe científica chega a um consenso quase absoluto (mais de 98%) quanto ao papel do homem na modificação que levou ao desequilíbrio ambiental.

"Temos hoje a certeza de que as mudanças climáticas, que já estão acontecendo, não podem mais ser evitadas", afirma o pesquisador.

Nobre adianta que os próximos relatórios do IPCC serão ainda mais audaciosos. Os dados mundiais reunidos pelo Painel atestam que não é apenas a temperatura que está aumentando, mas também que o gelo está derretendo e o nível do mar está subindo. Afirma, no entanto, que o mundo continuará sendo 'habitável' nos próximos cem anos. O ponto-chave, para ele, é a que tipo de adaptação o homem terá de se submeter e quem terá as melhores condições de sobrevivência.

"As pessoas têm de ter a noção de que o aquecimento global vai continuar acontecendo e por muito tempo", comenta Nobre, alertando para a responsabilidade da geração atual de não deixar que o aquecimento global se torne insuportável para as gerações futuras.

Nas palestras que faz, o cientista apresenta diversos dados científicos obtidos por pesquisas sobre as variações climáticas, bem como as projeções dos efeitos das mudanças do clima, tudo costurado, ao final com algumas reflexões de caráter filosófico.

Em Porto Alegre, por exemplo, falando para estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, parafraseou Mahatma Gandhi: "Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, não há o suficiente para a cobiça humana", dizia o último slide apresentado aos alunos.

"É como em um período de seca, quando as pessoas economizam água. O princípio é o mesmo, a emissão dos gases nocivos tem de diminuir. É tempo de uma desmaterialização, nós temos que viver bem com menos materiais, com menos energia. Uma mudança cultural, aprender a viver bem com menos consumismo", adverte o pesquisador.

Modelo Tropical de Desenvolvimento

A discussão sobre o Brasil e as mudanças climáticas exige, para Carlos Nobre, o investimento em uma nova perspectiva para o país. Defende o que chama de "modelo tropical de desenvolvimento", baseado na indústria da biodiversidade e no aprimoramento de fontes de energia limpa e renovável.

A matriz energética da hidroeletricidade também emite gases de efeito estufa, mas é muito menos poluente. Fora isso, há um grande potencial de energia a partir da biomassa, dos ventos, energia solar e do etanol, se bem conduzido. Uma exigência imediata é parar com o desmatamento: "Setenta por cento das emissões brasileiras vêm diretamente dos desmatamentos, principalmente da Amazônia e do Cerrado. No passado, já desmatamos a Mata Atlântica e a Mata de Araucárias. E este desmatamento não está levando a um desenvolvimento econômico e social das populações da Amazônia, por exemplo", diz ele.

Nobre lamenta que o Brasil e o planeta estejam perdendo recursos tão importantes, que têm muito valor, para gerar, nos moldes atuais, um índice de desenvolvimento medíocre. A perspectiva tropical seria fruto de um Brasil que acredita mais em ciência e tecnologia.

"Como não existe um modelo de país tropical desenvolvido, este modelo tem de ser inventado. E quem pode fazer isso é a ciência. Uma vez inventado, o Brasil tem que acreditar que é possível se desenvolver calcado nos recursos naturais renováveis: água, solo, ventos, sol, marés e o pouquíssimo explorado potencial da nossa biodiversidade. Então precisamos de um maciço incentivo na formação de pesquisadores nas universidades, pesquisadores em novas áreas, áreas brasileiras".

O passo seguinte é acreditar nesse modelo, pontua. Como o país não quer ser uma potência militar ou de algumas tecnologias nas quais já perdeu a corrida, o caminho é industrializar o Brasil a partir dos recursos naturais renováveis. A defesa da industrialização, todavia, não esquece do princípio básico da sustentabilidade: "O Brasil deve ser pioneiro pela riqueza cultural, pela biodiversidade. É um terreno fértil para esta experiência. Devemos permitir que isto aconteça", argumenta.

Na opinião do cientista, para barrar o aquecimento global, alguma coisa muito forte e muito radical terá de ser feita. "O princípio da cautela e da preocupação nos obriga a defender metas duras de redução. Nós precisamos rapidamente reduzir a emissão de gases potencializadores do efeito estufa".

Carlos Nobre esteve em Porto Alegre a convite do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

(Por Reges Schwaab, EcoAgência, 02/05/2008)

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