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desmatamento da amazônia
2008-01-15
Área desmatada de 2001 a 2006 equivale a 135 bosques Rodrigues Alves

A principal cidade da Amazônia, às portas de quase 400 anos de fundação, vai engolindo suas florestas naturais com o progresso sem ordem.  De 2001 a 2006, não houve nenhuma ação de reflorestamento em Belém e a cidade perdeu, em média, quatro quilômetros quadrados por ano, o que equivale a 135 Bosques Rodrigues Alves nestes cinco anos de devastação, uma área aproximada de 20 quilômetros quadrados.  Vista de cima, a capital concentra seu cinturão verde em áreas militares, unidades de proteção ambiental (Upas) ou nas ilhas de seu entorno.  Ainda assim, as faixas verdes no arquipélago da cidade também já sofrem com a ação predatória e irracional.

As florestas urbanas da Grande Belém compõem um dos temas abordados no livro 'Belém Sustentável', do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), projeto coordenado pelos pesquisadores Carla Alencar, Adalberto Veríssimo e Netuno Leão.  A publicação será lançada no próximo dia 30, no mês de aniversário da cidade.  O total de florestas urbanas em Belém foi reduzido de 388 quilômetros quadrados, em 2001, para 369 quilômetros quadrados, em 2006.  Restam hoje apenas 31% de florestas na capital, segundo o Imazon.

Na Região Metropolitana de Belém (RMB), as áreas mais desmatadas, de 2002 a 2006, estão localizadas no município de Santa Bárbara.  Lá, o avanço sobre a floresta foi de 6,2 quilômetros quadrados neste período.  O segundo maior índice de desmatamento ocorre na capital, com uma média de 4,5 quilômetros quadrados por ano; Benevides vem logo em seguida, com uma média de 3,8 quilômetros quadrados; e Marituba, com 2,8 quilômetros quadrados; e Ananindeua, com 2,6 quilômetros quadrados.  Em Santa Bárbara, principalmente, as comunidades de Araci e Genipaúba foram grandes responsáveis por acabar com o verde da cidade.

Belém e Ananindeua tiveram os maiores danos ambientais nas ilhas e áreas de loteamentos urbanos.  Marituba, há pouco tempo uma das áreas de floresta da região, teve a camada vegetal reduzida, sobretudo, em áreas ao longo da Alça Viária e de expansão urbana.  Já Benevides perdeu florestas para a agricultura e instalação de novas indústrias.

A taxa de floresta por pessoa em Belém também caiu.  De 2001 para 2005, o indicador despencou de 211 metros quadrados para 176 metros quadrados para cada habitante.  Na comparação entre as cidades da RMB, Santa Bárbara está em melhor situação.  O município tem atualmente 6.219,1 metros quadrados de floresta para cada habitante.  O índice, no entanto, é menor do que o registrado em 2001, que foi de 7.682,8 metros quadrados por habitante.

Luxo?
O ecólogo Adalberto Veríssimo diz que muitos podem entender como um luxo a cidade manter suas florestas em pé, mas ele alerta que a proteção destes recursos naturais é uma questão de sobrevivência.  Ele comenta que é uma necessidade a proteção desses espaços para preservar os mananciais de abastecimento de água da cidade, como os lagos Bolonha e Água Preta, os quais, sem a cobertura vegetal original, ficam mais expostos à ação do homem.  Reduzir a temperatura de Belém é outra função das florestas, como também conservar a rica biodiversidade da capital paraense para não afetar todo o estuário, cujos limites vão até a região do Marajó.

'A floresta não é um luxo.  Exerce um papel fundamental e serve como indicador de qualidade de vida da população', diz Veríssimo.  O livro 'Belém Sustentável' aponta que é necessário recuperar as áreas já degradadas da cidade e resguardar o que ainda resta, criando novas Unidades de Proteção Ambiental, já que mais de dois terços do que restou de florestas originais não estão sob proteção.

Reduzir o desmatamento na Grande Belém é, portanto, um dos desafios para os próximos gestores, diz Carla Alencar.  E para quem acha que a idéia está restrita a um pequeno grupo de ambientalistas, ela tem argumentos bastante consistentes: 'Florestas urbanas são essenciais para manter os serviços ambientais e propiciar opções de lazer e recreação; diminuem os efeitos do calor excessivo, reduzem a poluição do ar, protegem as bacias hidrográficas e mananciais de água, conservam o solo contra a erosão e podem gerar oportunidades de renda para extratores de frutos, óleos e essências.  Além disso, as florestas urbanas exercem funções estéticas e simbólicas como, por exemplo, manutenção das tradições culturais e rituais espirituais e religiosos', diz.

Redução
A pesquisa do Imazon revela que houve diminuição da taxa de desmatamento anual em Belém.  De 0,55%, de 1995 a 2001, caiu para 0,32%, de 2002 a 2006.  O instituto revela que o desmatamento teve queda em todos os municípios, com exceção de Ananindeua, onde foram desmatados, no período, 19 quilômetros quadrados, correspondentes a 127 Bosques Rodrigues Alves.  Embora positivo na Região Metropolitana como um todo, o índice expõem uma realidade: caiu a taxa porque houve uma redução de áreas disponíveis para desmatamento.  O pesquisador Netuno Leão explica que é comum a redução da taxa conforme vão se reduzindo as áreas de florestas.  'Não há muito mais o que desmatar', observa.

As ilhas ainda estão recobertas de florestas, mas também sofrem com a ação humana.  Cotijuba, uma das ilhotas em frente da Belém penisular, é um exemplo.  No distrito, a atividade turística tem castigado o que resta da vegetação.  Igual situação vive o Distrito de Mosqueiro.  Em Ananindeua, pelos mapas analisados pela equipe do Imazon, há uma faixa muito tênue de vegetação na cidade, que tem sua principal reserva florestal nas 14 ilhas que a compõem.

Áreas degradadas precisam ser reflorestadas
A degradação ambiental já levou 69% da vegetação orginal de Belém, mas há medidas que podem ser tomadas para amenizar o problema e, a longo prazo, corrigir o erro.  A criação de novas Unidades de Proteção é uma delas.  O ecólogo Adalberto Veríssimo destaca que várias cidades brasileiras estão se empenhando para reduzir o ônus de ter perdido a cobertura vegetal.  A 'Cidade das Mangueiras' também precisa começar esse processo para melhorar os indicadores de qualidade de vida.

A recuperação de áreas degradadas é outro importante passo na direção de uma cidade melhor.  Em São Paulo, observa ele, o poder público já monitorou as áreas em que ainda é possível repor a cobertura florestal e está fazendo esse trabalho.  'Lá, os espaços são bem menores, mas é o que está podendo ser feito no momento.  Belém precisa também acompanhar essa tendência para iniciar a sua recuperação', diz.  Outras capitais conseguiram, como Curitiba (PR).  A cidade paranaense aumentou a área verde por pessoa de um metro quadrado, em 1970, para 51 metros quadrados, em 2004.  Em João Pessoa (PB), foi feito o reflorestamento de 78 hectares de áreas degradadas pela prefeitura, medida para compensar o desmatamento provocado pela implantação de um aterro sanitário.

Insegurança inibe visita a parques ambientais
As mais recentes Unidades de Proteção Ambiental (Upas) desestimulam os cidadãos na capital paraense a usufruir do lazer que estes espaços podem proporcionar.  A falta de segurança em locais como o Parque no Utinga, por exemplo, acaba afastando as visitações e relegando o espaço ao isolamento.  Em vez de servir como ponto de fuga do estresse urbano, o ambiente acaba se tornando um risco para quem o freqüenta.

O Imazon pesquisou sete Upas: Área de Preservação Ambiental Belém, o Parque Ambiental de Belém, o Parque Ecológico da Ilha de Mosqueiro, o Parque Ecológico de Belém (Parque Amazônico), o Parque Ambiental de Belém da Ilha, Museu Goeldi e Bosque Rodrigues Alves.  Sem estrutura adequada, transporte satisfatório para facilitar o acesso e segurança contra a criminalidade, os mais criados mais recentemente acabam se tornando espaços ociosos, com pouca ou nenhuma função para a maior parte da sociedade.  Adalberto Veríssimo ressalta que a criação das unidades é necessária e que o poder público deve fazer esforço para implantá-las.  Mas é preciso garantir a estrutura mínima para o uso adequado desses lugares.

Das Upas da capital paraense, somente o Museu Goeldi e o Bosque Rodrigues Alves têm muro de contenção, o que evita o avanço de criminosos e ajuda a preservar o local.  

(Por Anderson Luís Araújo, O Liberal, 11/01/2008)


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