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imprensa e meio ambiente
2007-10-15

De 10 à 12 de outubro, tivemos o privilégio de sediar em Porto Alegre o 2º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, que aconteceu no Salão de Atos da UFRGS e teve como tema Aquecimento Global: um desafio para todos.

A abertura foi marcada muito mais pela entusiasmada participação do conferencista da noite, o cineasta inglês Adrian Cowel, do que pelo discurso pouco envolvente e convincente dos políticos presentes.

Com um público estimado em torno de 500 pessoas e contando com jornalistas de países como Cuba, Equador, México, Panamá e Uruguai, além do Brasil, as atividades foram intensas durante os três dias. Na abertura do evento, os organizadores prestaram uma homenagem ao ecologista gaúcho Augusto César Cunha Carneiro, braço direito de Lutzenberger em muitas conquistas e que do alto de seus 85 anos continua na luta em defesa do meio ambiente.

No dia 12, como parte das atividades de encerramento do congresso, ainda foi exibido, na Sala Redenção, um breve documentário sobre a vida do ecologista. Com direção de Clara Glock, o vídeo contou com depoimentos de amigos, pioneiros da ecologia e familiares de Lutzenberger reconhecendo o valor do trabalho prestado por Augusto Carneiro ao longo de todos estes anos.

O cineasta britânico também abriu sua conferência lembrando o amigo José Lutzenberger, e citou um episódio curioso ocorrido no início da década de 80, quando viajava com o ecologista pela BR 364, no Acre: “Lutz pediu de repente pra eu parar o carro, desceu e entrou na Floresta. Depois de uns 3 minutos retornou. Quando íamos partir, ele pediu para aguardarmos uns 10 minutos. Depois da espera convidou-nos para irmos até a Floresta observar onde ele havia urinado. Chegando lá, vimos que havia muitos insetos, centenas, em sua urina. Isso provava a ausência de sal naquele ambiente".

Segundo Lara Lutzenberger, sua filha, o fato demonstrava a deficiência, no ambiente, de fontes de compostos nitrosos e sulfurosos, necessários para o metabolismo proteico dos insetos, e abundante na urina. O solo daquela região é mais arenoso, pobre em minerais, e a vida se sustenta através da rápida ciclagem dos nutrientes entre si.

Trata-se também de um ecossistema maduro e tropical, acelerando todos esses processos. As folhas que caem no chão são rapidamente humificadas e reabsorvidas pelas plantas, assim como as fezes e a urina dos animais são rapidamente reincorporadas no sistema, atraindo imediatamente uma abundância de insetos, que serão, por sua vez, digeridos por aranhas, anfibios e lagartos e terão seus nutrientes transmitidos através da cadeia alimentar, até chegar às aves e felinos daquele ecossistema.

É uma expressão do dinamismo, da interdependência e do sincronismo das espécies que permite que a floresta viceje numa abundância e magnitude estonteantes.

Após a lembrança, Cowel apresentou uma síntese dos documentários realizados na Amazônia e disse ainda ter encontrado em Lutzenberger um homem corajoso, pois foi o único disposto a falar e criticar o programa de desenvolvimento na Amazônia em plena ditadura, quando o desmatamento era a política do governo.

Amigo de Chico Mendes, o conferencista emocionou aos presentes com imagens do seringueiro em momentos de confraternização com a família e amigos, pouco antes de sua morte. Em 1986 Chico foi o primeiro candidato a cargo político a defender a Amazônia. Em 1988 foi confirmada a primeira reserva extrativista pelo governo, por isso, segundo os fazendeiros, Chico tinha que morrer. Hoje, o legado de Chico é de 81 reservas extrativistas já criadas. Mas, infelizmente, a criação da primeira foi seguida de sua morte.

No final de sua apresentação, Cowel deu ainda a boa notícia de que está doando todo seu acervo de 50 anos para a Universidade Católica de Goiás. São 16 toneladas de filmes, positivos e negativos, que virão ao Brasil após minuciosa catalogação, e que atualmente estão no porão de sua casa, em Londres. Em encontro com Lara, Cowel informou que doou os direitos autorais do acervo da “Década da Destruição” à Universidade Católica de Goiás com a ressalva de que a Fundação Gaia (ONG criada por Lutzenberger em 1987) deve poder veicular suas imagens sem ônus.

Por Por Christian Lavich Goldschmidt, com informações da Envolverde, 12/10/2007)


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