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extinção de espécies
2007-09-10

Os animais selvagens não são as únicas criaturas que enfrentam a extinção iminente. Muitas variedades de gado autóctone estão em risco de desaparecer totalmente na América Latina, África e Ásia. É o que aponta o estudo “Situação dos recursos zoogenéticos mundiais para a alimentação e a agricultura”, apresentado esta semana pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). O informe detectou uma dependência excessiva de algumas raças de gado importadas dos Estados Unidos e da Europa, entre elas as vacas Holstein-Friesian, de alto rendimento leiteiro; as galinhas poedeiras Leghorn brancas, e porcos brancos grandes, de rápido crescimento. Esta tendência implica na ameaça de perda de, pelo menos, uma variedade de gado autóctone por mês, segundo o estudo da FAO.

Desde 1999, quando começaram as pesquisas para o informe apresentado esta semana, duas mil variedades locais foram identificadas como em situação de risco. Um exemplo da dependência excessiva em uma variedade particular é a vaca leiteira Holstein-Friesian (também chamada Holandesa ou Frisona), branca e preta, originaria da Holanda, que agora é encontrada em 128 países e em todas as regiões do mundo. Além disso, 90% do gado nos países industrializados procedem de apenas seis variedades muito especificamente definidas. Para o informe, com o qual contribuíram o Instituto Internacional de Pesquisa em Pecuária (Ilri) e outros centros acadêmicos, foram analisada raças de gado em 169 países e descobriu-se que 70% das que existem em todo o mundo se encontram no Sul em desenvolvimento.

Os resultados foram apresentados a cerca de 300 políticos, cientistas e criadores de gado na Primeira Conferência Técnica Internacional sobre Recursos Genéticos Animais, que começou segunda-feira na localidade suíça de Interlaken, e vai até amanhã. A FAO propõe medidas intergovernamentais para manejar menor estes recursos. Entretanto, as negociações e os processos políticos consumirão vários anos antes de darem frutos. “Enquanto falamos, as raças estão desaparecendo. Assim, precisamos agir agora”, disse à IPS Carlos Seré, diretor-geral do Ilri.

Cientistas do Grupo Consultivo para a Pesquisa Agrícola Internacional (CGIAR), organização que apóia o Ilri, exigiram a rápida criação de bancos de esperma e óvulos de animais-chave par a sobrevivência da população no futuro. “Esse é o primeiro passo”, disse Seré, que fez o discurso inaugural da conferência de Interlaken. “Nos Estados Unidos, na Europa, China e América do Sul há bancos genéticos bem estabelecidos que preservam ativamente a diversidade pecuária regional”, afirmou Seré. “A África ficou na vontade, e essa ausência é sentida muito precisamente agora, porque é uma das regiões com a diversidade mais rica e é provável que sejam um dos principais focos de perda de raças neste século”, acrescentou.

Seré defendeu a rápida criação de bancos genéticos na África como um dos quatro passos práticos para melhor caracterização, uso e conservação dos animais para os sistemas de produção pecuária de todo o mundo. “O custo para criar bancos genéticos não é muito elevado. É mais essencial conseguir apoio institucional. Sendo assim, naturalmente isto pode ser conseguido nos países mais pobres da África também”, explicou Seré. A conservação do gado é importante, já que os países industrializados construíram suas economias significativamente através da produção pecuária, e não há sinais de que os países em desenvolvimento sejam diferentes.

Em todo o mundo, um bilhão de pessoas estão envolvidas na criação de animais e para 70% dos pobres das zonas rurais o gado é chave em seu sustento. “No futuro imediato, os animais continuarão gerando meios para que centenas de milhões de pessoas escapem da pobreza absoluta”, afirmou Seré. Conservarf as variedades de gado locais no mundo em desenvolvimento é crucial também porque os animais nesses países precisam adaptar-se ao meio ambiente, e não o inverso. “Se não há atenção veterinária, as raças locais podem sobreviver, mas não as importadas”, afirmou.

Por exemplo, o gado Ankole, nativo de Uganda, poderia extinguir-se em 20 anos porque é rapidamente suplantado pelo Holstein-Friesian, que produz muito mais leite. Mas em uma recente seca, os criadores da raça Ankole tiveram de levar seus animais por longas distâncias para terem acesso a fontes de água, enquanto os que tinham raças importadas perderam manadas inteiras.

Cientistas e conservacionistas concordam que não se pode salvar todas as espécies de fazenda. Mas o Ilri ajudou a sentar as bases para priorizar os esforços de conservação pecuária nas regiões em desenvolvimento. Nos últimos seis anos, o Ilri elaborou uma detalhada base de dados, chamada Sistema de Informação sobre Recursos Genéticos de Animais Domésticos, que contém informação obtida em pesquisas sobre distribuição, características e status de 669 variedades de gado bovino, ovino, caprino e suíno, bem como frangos autóctones da África e Ásia.

O plano de quatro passos proposto por Seré é uma amostra do que a FAO sugere como plano de ação. Além de estabelecer bancos genéticos, propôs incentivos de mercado e boas práticas públicas que incentivem o criador a manter a diversidade. Uma mobilidade maior das raças através das fronteiras nacionais, bem como técnicas avançadas de mapeamento geográfico e de genoma para prever quais variedades se adequam melhor a quais ambientes, são os outros passos recomendados para enfrentar este problema.

O subdiretor-geral da FAO, Alexander Muller, disse na entrevista que a mudança climática também supõe uma ameaça significativa para as raças de gado autóctones. “Nesta situação, o mundo ano pode simplesmente adotar uma atitude de acompanhar com se nada acontecesse e de esperar para ver o que acontece. A mudança climática significa que entramos em um período de incerteza e crise sem precedentes, que afetará todos os países”, ressaltou Muller. “As opções que oferecem estes recursos para manter e melhorar a produção animal serão de grande significado nas próximas décadas. A mudança climática e o surgimento de novas e virulentas enfermidades do gado destacam a importância de manter a capacidade de adaptar nossos sistemas de produção agrícola”, concluiu o especialista.

(Por Por Anuradha Kher, da IPS/Envolverde, 06/09/2007)

 


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