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aracruz/vcp/fibria
2007-07-30
Ambientalistas e moradores do Caparaó começam a reagir à invasão dos plantios de eucalipto na região. Uma mobilização está em marcha contra o 1º Fórum de Florestas Plantadas da Região do Caparaó, patrocinado pela Aracruz Celulose e anunciado para o dia 31 de agosto próximo. Os moradores afirmam que não aceitam que a região seja destruída, como aconteceu com a região norte capixaba.

A Aracruz Celulose "já detonou com praticamente todo o norte do Estado, e agora investe na região do Caparaó. Precisamos somar forças para impedir essa invasão do eucalipto em nossa região", diz e-mail enviado por leitor da região.

O biólogo e professor João Batista Gomes, de Guaçuí, confirmou o anúncio da realização do evento. E, ainda, que estão sendo realizados contatos entre diversas entidades e ONGs, como a Aguapam, educadores ambientais do Caparaó, do Consórcio Caparaó, alunos da rede pública municipal, professores, Departamento de Educação Ambiental da Seme, entre outros segmentos, para discutir a divulgação dos plantios de eucalipto na região do Caparaó.

Há, segundo informações de moradores da região, pessoas que apoiam os plantios como o superintendente de Meio Ambiente da prefeitura de Guaçui: "Ele é a favor dos plantios. Segundo ele, a salvação para o Brasil é o eucalipto. Pode!!!?", diz um morador, por e-mail.

Os que sabem que as grandes plantações de eucalipto promovem destruição ambiental e degradação social anunciam que farão "cartazes, faixas" e que estarão nas "escolas. Faremos o que for necessário para lutar contra a destruição ambiental da região do Caparaó".

Asseguram que a mobilização está começando, e "isto porque ainda não foi definido muita coisa sobre o evento. Na verdade, estamos nos antecipando para que ele não ocorra".

Sobre o eucalipto, o biológo João Batista Gomes esclarece que "está claro para nós que a perda de biodivesidade é uma realidade. Associado a isso, um município que tem mais de 10 bancos da terra (agricultura familiar), 1 assentamento do Incra (136 famílias) e tem um discurso de diversificação na agricultura e agroturismo, não poderia em hipótese alguma permitir qualquer movimento em prol de plantio de eucalipto".

Os que combatem os plantios de eucalipto na região do Caparaó apontam que "os pequenos agricultores que fazem parcerias com as empresas vão ter prejuízos no futuro. Por ter raízes profundas, o eucalipto é difícil de ser extraído, dificultando, depois, o plantio de outras culturas".

João Batista Gomes acrescenta a estas informações: "A reconversão das áreas plantadas com eucalipto para produção de alimentos é de custo altíssimo e de tempo muito demorado. Esse é um grande problema que os agricultores não estão levando em conta e devem refletir. E depois como ele poderá migrar para outra cultura? O que ele vai fazer com a área? Vai ter uma área toda cortada, cortes rasos, milhares de tocos sobre está área, o que ele vai plantar sobre isso?".

Lembra o professor que "na implantação da cultura do eucalipto, até que haverá serviço para os trabalhadores, mas como sabemos, o corte leva em média 7 anos para acontecer. O que os trabalhadores farão nesse período? O eucalipto emprega 3 vezes menos por hectare do que a agricultura".

E considera ainda o impacto visual sobre um região de belas paisagens: "Qual turista virá à região para ver eucalipto? E como o eucalipto é uma planta que necessita de água farta para seu crescimento, nossos mananciais, que são muitos, correm perigo. Somos testemunhas das muitas verdades do passado que é nossa desgraça hoje (drenagem de várzea, inclusive incentivada pelo governo, desvio de rios, etc)".

O biólogo também lembra que "no Caparaó nascem três bacias hidrográficas. A região é uma caixa d`água. Não podemos correr riscos". E cita o agrônomo José Augusto Tosado, do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia (Cepedes), em entrevista à Terramérica. Tosato afirmou: "A monocultura em áreas extensas empobrece a biodiversidade, reduz a disponibilidade de água superficial e provoca desequilíbrios sociais, pois expulsa os camponeses".

O Cepedes é uma ONG e reuniu numerosos testemunhos de camponeses sobre "redução da camada freática", ao redor das grandes plantações das companhias florestais que operam na região Sul da Bahia, Aracruz Celulose e Bahia Sul.

Para o professor João Batista Gomes, está correta a visão de que "não deveria ser permitida plantação de até 200 mil hectares, e deveria ser aplicado, por outro lado, um zoneamento ecológico para reduzir a densidade e a extensão das monoculturas, além de fomentar corredores de biodiversidade e projetos de recuperação de florestas nativas".

Argumentos como estes estão sendo empregados no processo de sensibilização dos moradores do Caparaó contra os plantios de eucalipto da Aracruz Celulose.

(Século Diário, 28/07/2007)


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